10 de julho de 2026
Geral

Ambulantes confirmam denúncia; sindicalista diz que acionará Justiça

Nelson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Economia Informal de Bauru, Mário Augusto dos Santos, reagiu, ontem à tarde, dizendo que vai entrar com queixa-crime contra o vereador Faria Neto. Ele disse que não procede a denúncia de que ele pressiona os ambulantes a se sindicalizarem, com o pagamento de um valor mensal, como condição para a liberação de pontos de venda para barracas no centro da cidade.

Mário Augusto critica que o vereador Faria Neto se esconde atrás da imunidade parlamentar para fazer uma denúncia que não existe. Eu vou tomar conhecimento do inteiro teor de sua fala na Câmara para tomar providências contra ele. O presidente do sindicato afirmou que não há coação para quem quer montar barraca na cidade. O que eu faço é procurar os interessados dizendo que a atividade informal não gera registro em carteira e que, por isso, o ambulante não tem uma série de benefícios. O sindicato colabora nessa questão, emitindo comprovante de atividade com registro em cartório. Mas não há qualquer tipo de pressão para que o ponto seja autorizado somente se o barraqueiro se sindicalizar. Se ele não quer se sindicalizar, ele segue sozinho, sem o sindicato.

Mário Augusto confirmou que ao se sindicalizar cada ambulante paga uma taxa de R$ 50,00 para ter a carteirinha do sindicato e R$ 10,00 por mês como contribuição sindical. Nós temos 110 ambulantes sindicalizados e a maioria não paga por mês, por dificuldade. Tem cerca de 55 que pagam. E a atividade continua, ele não fica sem ponto. Nós temos uma orientação jurídica no sindicato e não há nenhuma irregularidade na nossa atuação, completou.

Acusações

Dois vendedores ambulantes que trabalham no Centro da cidade e que preferiram não ter seus nomes divulgados, confirmaram à reportagem que o presidente do sindicato pressiona quem se apresenta para montar uma barraca. Uma das pessoas afirmou que se não for feito o pagamento de R$ 50,00 o Mário não dá o ponto. Da mesma forma, o ambulante contou que se não pagar os R$ 10,00 por mês, ele ameaça tirar a barraca. os ambulantes que conversaram com a reportagem disseram que há medo de represália. O pessoal tem medo de falar. Por isso, seus nomes estão sendo preservados neste momento.

Segundo os dois ambulantes ouvidos pela reportagem, o Mário é quem tem os pontos para distribuir. É ele quem manda nos pontos em todo o Centro. Segundo eles, mesmo não havendo lugar disponível para instalar barraca no Centro, o presidente do sindicato consegue um ponto se houver o pagamento do que é exigido.

Outra informação dada pelos ambulantes ouvidos pela reportagem é que há coincidência entre o atraso no pagamento da mensalidade com a vinda da fiscalização da Prefeitura, em muitos casos. Eles também reclamam que há proteção para alguns barraqueiros. A Secretaria de Planejamento proíbe barraca de pastel na praça Rui Barbosa, menos para um pastor que sempre vende o pastel no local. O serviço dele é beneficente, tudo bem. Mas nosso trabalho é de sobrevivência. Então, temos que ter direitos iguais. Por que só ele pode?, questionam.