Uma moderna revista, dessas que em decorrência de sua beleza não chegam a dormir muito tempo sobre as toscas bancas de jornais que há por aí, comenta, lamentando profundamente, em sua mais recente edição, que esteja avançando a galope, no Brasil, a incidência de casais que quebram seus vínculos matrimoniais com pouco tempo de vida em comum. E cita até exemplos, idênticos aos de milhares de outros que se conhecem, como os de alguns casais da alta sociedade paulistana, num dos quais, ele com apenas 28 anos de idade e, ela, 22, que, decorridos poucos meses de entrelaçamento, entendeu, momento para outro, de rompê-lo definitivamente. Como esse, e outros parecidíssimos, há alguns milhões no espaço! Seria isso coisa comum? Não! Ao contrário, tem-se tudo isso como muito descomunal, principalmente quando se lembra de que a convivência conjugal de gente society sempre foi tida e havida como de bastante solidez e plena durabilidade. Torna-se difícil, por isso, descobrir-se o motivo, no singular ou no plural, que possa induzir tanta gente, inclusive idosos, a separar repentinamente seus corpos, suas inúmeras roupas e duas ou três maletas, mantidas amorosamente durante dezenas de primaveras, gesto amargurante, dir-se-ia inexplicável, porque nem sempre acontece por questões de eventual infidelidade para justificar tudo quanto se queira invocar. O surgimento, atrasado, de incompatibilidade de gênios, constitui um dos grandes perigos.
Há círculos sociológicos estudando a problemática e defendendo o prisma de que os parceiros deveriam aprender, no devido tempo, mesmo na época do namoro, a olhar melhor os olhos dos outros, atentos aos seus problemas, geralmente humanos, pois, como a revista sabiamente prega, há sempre uma rosa diante do próximo, impedindo os outros de vê-lo. Têm, então, que se deslocar lá para os fundinhos de seus corações, jovens ou idosos, e ali pensar, conscientemente, na hora de ajuntar seus travesseiros, tendo em vista descartar atitudes que possam refletir negativamente em suas vidas porque firmadas no errado conceito de que a separação possa vir a ser o último e inteiramente seguro remédio para seus problemas conjugais. É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.