10 de julho de 2026
Geral

Dependentes do serviço público estão impossibilitados de se locomover mesmo em Bauru, como Leandro A. de Paula, que sofreu atrofia e precisou interromper o tratamento fisioterápico.

Redação
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Um paciente paraplégico deixou de fazer fisioterapia porque não consegue ambulâncias municipais para transportá-lo.

Apesar de a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) alegar dificuldade em transportar pacientes para tratamentos e consultas fora da cidade porque suas 13 ambulâncias são destinadas a transporte interno, a população reclama sobre a dificuldade de conseguir ambulâncias até mesmo para transporte dentro do Município. É o caso de Leandro Aparecido de Paula, de 19 anos, que teve seus membros inferiores atrofiados e precisou interromper seu tratamento fisioterápico por falta de transporte.

Leandro foi baleado em março de 2000 e ficou paraplégico, perdeu um rim e a visão de um olho. Desde então, ele vem tentando transporte do Município para as consultas e tratamentos que realiza dentro e fora da cidade, de acordo com sua mãe, Luzia Aparecida Francisca, de 39 anos, moradora do Parque Santa Edwirges. Ele saiu do Hospital sem encaminhamento nenhum e eu consegui encaminhamento para ele fazer fisioterapia. Só que ele não anda, nós somos pobres e não temos como transportá-lo. O responsável pela ambulância do PS disse que levaria durante dez dias, mas apareceu só três ou quatro vezes, disse.

Luzia afirma que recorreu à SMS para conseguir ambulâncias para o tratamento de seu filho, mas os responsáveis pelo órgão teriam alegado que haveria apenas uma ambulância disponível. Depois eu vi no jornal, um dia desses, que eles têm 13 ambulâncias para transporte interno, observou.

Diante da inexistência de auxílio por parte dos órgãos públicos, a mãe de Leandro viu-se obrigada a pagar por um convênio particular que cobra R$ 10,00 para cada transporte, dentro da cidade, a consultas médicas e sessões de fisioterapia. Eu não posso trabalhar porque tenho que correr atrás das coisas para ele. A gente depende do salário do meu filho de 16 anos, que ganha R$ 300,00 por mês. Não podemos pagar R$ 10,00 cada vez que meu filho tem que ir ao médico. Ele já perdeu fisioterapia e consultas por causa disso. Isso está um sufoco para a gente, enfatiza Luzia.

Ela acrescenta que recebe atendimento ruim do Município inclusive quando Leandro precisa de atendimento emergencial, devido às crises que o acometem com freqüência. Quando ele tem crise e passa mal, a ambulância pega ele, mas não traz de volta, afirma.

Diante de tais dificuldades, Leandro teria interrompido o tratamento de fisioterapia. As pernas dele estão atrofiadas e podem piorar se ele não continuar o tratamento. Nós já pagamos vizinho, alugamos carro, mas não temos dinheiro para isso, desabafou Luzia.

No próximo dia 3 de setembro, o paciente tem uma consulta marcada no Hospital Lauro de Souza Lima. Sua família irá pagar R$ 10,00 para que uma ambulância o transporte, através de convênio particular.

Além disso, Leandro realiza tratamento em Ribeirão Preto, para o qual também tem dificuldades em conseguir transportes. Para sua próxima consulta, que será no dia 28 de setembro, ainda não há ambulância disponível. A DIR-10 falou que acha que vai dar. Na DIR eles estão tentando, mas nunca tem vaga, reclama Luzia.

SMS

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou, em matéria publicada anteriormente pelo Jornal da Cidade, que o Município conta com 13 ambulâncias para transporte interno de pacientes.

A secretária municipal de Saúde, Eliane Fetter Teles Nunes, afirmou que o Município carece de um sistema de transporte de doentes, já que recebe muitos pedidos de pacientes que não apresentam casos de urgência e emergência. As ambulâncias são para transporte de urgência e emergência. O ideal seria montar um veículo para esse outro tipo de transporte, de pacientes sem recursos. O Município não tem veículo próprio para cadeira-de-rodas. Nós usamos a ambulância porque não temos outro veículo, expôs Eliane.

A secretária municipal de Saúde acrescentou que tem buscado atender principalmente os casos prioritários. O setor de ambulâncias disponibiliza uma das ambulâncias para agendamento desse tipo de transporte. Mas nós temos um critério técnico para avaliar as prioridades. Na medida do possível, nós estamos atendendo - usamos até veículo do gabinete e da secretaria, mas nosso orçamento é finito, salientou.