A cidade do saci, como já está conhecida, faz um trabalho de valorização das tradições e lendas do folclore brasileiro.
Botucatu - Entidade maléfica para alguns e graciosa e zombeteira para outros. Divergências à parte, começa hoje à noite, no Teatro Municipal de Botucatu, com entrada franca, o Festival Nacional do Saci. O evento promovido pelo Departamento de Cultura da Prefeitura de Botucatu tem como objetivo resgatar tradições e lendas do folclore brasileiro. O festival começa com o espetáculo de ballet Um Amor de Saci, apresentado pelas crianças do Projeto Crescer, mantido pela Prefeitura Municipal, e prossegue até o dia 26.
O imaginário brasileiro apresenta uma gama intensa de personagens que perambulam os sonhos e os pesadelos, provocando risos nervosos, choros e medos. Entes como a cuca, mula-sem-cabeça, lobisomem, saci-pererê, caipora, curupira, foram mantidos e transmitidos oralmente nas noites de lua cheia, provocando calafrios e arrepios. Essas tradições orais foram conservadas em livros e modernamente no cinema e na televisão.
A Prefeitura de Botucatu tem como parceiros no Festival Nacional do Saci, o Instituto de Biociências da Unesp, a Fepaf, a Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp, a Faculdade de Ciências Agronômicas e a Fundibio. O apoio cultural é do Banesp, Sabrico, Unimed, Gold & Silver, Café Tesouro e Newdoor.
Mas quem é o Saci?
O saci-pererê, entidade maléfica para alguns e graciosa e zombeteira em outras oportunidades, é comum nos estados do Sul do Brasil. Negrinho pequeno, feições semelhantes ao do ser humano, com uma perna só, apresenta carapuça vermelha na cabeça, que o faz encantado, ágil, astuto, amigo de fumar cachimbo, de fazer tranças em crinas de cavalos, depois de extenuá-los em correrias durante a noite.
O saci anuncia-se por um assobio persistente e misterioso, não localizável e assustador. Diverte-se, criando dificuldades domésticas, apagando o lume, queimando alimentos, talhando o leite e desandando o doce de leite, escondendo óculos, apavorando os viajantes nos caminhos solitários. Diz a tradição que quando se perde um objeto, tirando-se o gorrinho do saci, ele fará tudo para que o objeto seja devolvido. Para caçar um saci, jogue um rosário ou uma peneira num redemoinho e ele será laçado ou preso. O saci se alimenta de brotos de bambu, banana, folha de bananeira, pitangas e gabirobas.
Criadores de saci
Existe uma entidade, a Associação Nacional de Criadores de Saci (www.ancsaci. com.br), que é uma das defensoras do bichinho. O presidente da entidade, José Oswaldo Guimarães, introduziu dois casais de sacis mineiros na Cuesta Botucatuese, que atraíram os sacis remanescentes, namoraram, trocaram genes e hoje formam uma colônia de 18 membros.
Programação
O Festival Nacional do Saci apresentará várias atrações: violeiros, contadores de causos, culinária caipira e artesanato. Todos os eventos têm entrada franca. Confira a programação:
Dia 22/820h - Teatro Municipal Camillo Fernandes Dinuci - Espetáculo de Dança Um amor de Saci, apresentado pelo Projeto Crescer (Jd.Peabiru)
Dia 23/820h - Teatro Municipal Camillo Fernandes Dinuci - Orquestra de Violeiros Antenor Serra
Dia 24/819h - Espaço Cultural - Osni Ribeiro
21h - Espaço Cultural - Ivan Vilela
Dia 25/815h - Espaço Cultural - Corporação Musical Damião Pinheiro Machado
17h - Espaço Cultural - Show Musical com João Aiz
19h - Espaço Cultural - Show Musical com Flor de Lis
21h - Espaço Cultural - Show Musical com Paulo Freire e Zé Oswaldo
Dia 26/815h - Espaço Cultural - Corporação Musical Damião Pinheiro Machado
17h - Espaço Cultural - Show Musical com Ramiro Viola
19h - Espaço Cultural - Show Musical com Brás da Viola
21h - Espaço Cultural - Show Musical com Pereira da Viola