08 de julho de 2026
Geral

Uma expedição do Peru!

Redação (*)
| Tempo de leitura: 5 min

Grupo de empresários de Bauru parte hoje para viagem a Machu Picchu, no Peru; objetivo é colher informações e trazer material para ser mostrado em escolas da cidade.

Eles são jovens empresários da cidade que adoram aventuras. E uma das muitas viagens que o Grupo Rastros já vivenciou, desde 1990, está prestes a começar, hoje à noite, quando eles partem rumo ao Peru, de avião.

Naquele país, Sílvio Serrano, 41 anos, Roberto Lima, o Beto, 29, Walter Folkis, 25 e Marcos Lima Silva, o Rafa, 33, têm um destino certo, a cidade perdida de Machu Picchu, em Cuzco, onde percorrerão a famosa trilha inca.

O objetivo, segundo o grupo, é trazer a Bauru muitas informações para que crianças e adultos possam tomar contato com um dos pontos mais visitados por turistas em toda a América Latina.

Para isso, levam equipamentos fotográficos, GPS (orientação via-satélite) e computador. Vamos enviar informações quase que diariamente a sites de Bauru para que todos possam acompanhar nosso trajeto, diz Sílvio Serrano.

Quando voltarem, visitarão escolas e realizarão exposições sobre o tema, além de explicarem como viabilizaram o projeto por meio de patrocinadores. O grupo pretende programar suas próximas viagens para o Nepal, Nova Zelândia e África, entre outros.

Para esta viagem, o grupo tem o patrocínio de Foto Duque, Bauru News, Primo Seguros, Aquasports, Interativo, Stella Barros Turismo, Travelnet, TV Modelo, 96 FM e Jornal da Cidade, além do apoio do Empório de Comunicação.

Machu Picchu

Antes de notar a atmosfera mística e a sensação de grandeza que toma conta de Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas, o norte-americano Hiram Bingham, o primeiro a descobri-la, descreveu o santuário como um lugar de difícil acesso, cercado de penhascos. Mas foi graças a isso que ela não foi encontrada antes e acabou resistindo à destruição no período colonial.

Era novembro de 1911 e o historiador, no lombo de um burro, procurava, na verdade, uma outra cidade perdida, chamada de Vilcabamba, que mais tarde também foi descoberta. Mas acabou sendo levado por dois camponeses ao local que batizaram de ruínas dos índios. Bingham encontrou o lugar abandonado e coberto pela selva. Uma visão bem diferente daquela que os turistas têm hoje.

Ao contrário do historiador, os visitantes escolhem como querem viajar às ruínas que ficam a uma altitude de 2.450 metros: de trem, de helicóptero ou andando. O ex-presidente Alberto Fujimori chegou até a propor uma quarta opção, um teleférico. Mas a idéia, graças à pressão dos ambientalistas, foi descartada.

Para entrar em Machu Picchu, que virou Patrimônio da Unesco em 1983, é preciso pagar US$ 20 pelo ingresso. Americanos japoneses argentinos, chilenos, franceses, italianos, canadenses e brasileiros se misturam nas filas. E não são poucos.

O número de visitantes aumentou de 6 mil em 1984 para 66 mil em 1998, segundo a entidade oficial de Turismo do Peru, Promperu. Com o intuito de organizar e preservar o local, os guias dividem os visitantes em grupos de idiomas inglês e espanhol, para depois começar o tour pelas ruínas.

Hipóteses

Muitos acreditam que a cidade teve função religiosa. De fato, saltam aos olhos santuários como o Templo do Sol e o das Três Janelas. Estudiosos dizem ainda que lá deviam ficar os mais sábios, a elite, os sacerdotes. Usavam a cidade escondida para desenvolver seus conhecimentos de medicina, astronomia, matemática, agronomia, arquitetura e engenharia. Crêem também que ela era freqüentada por peregrinos que homenageavam os deuses.

Ninguém sabe ao certo a razão de seu desaparecimento. Há hipóteses e mais hipóteses. Uma delas diz que a população foi surpreendida por uma epidemia, outras falam em castigo dos deuses. Dizem também que os incas, ao saber da presença inimiga, teriam abandonado a terra.

Lendas do Titicaca

Por trás do azul das águas do Titicaca, o lago sagrado dos incas, entre o Peru e a Bolívia, despontam os picos nevados da Cordilheira Real dos Andes. Nesse cenário inspirador, que por si só já vale a viagem, é impossível não se render à atmosfera misteriosa das histórias das antigas civilizações e ao encanto do mundo particular que habita suas margens.

Com muitos casacos para driblar o frio da altitude de quase 4 mil metros, os turistas preparam-se para navegar no lago de 8,3 mil quilômetros quadrados. Seja em pequenos barcos ou cruzeiros mais requintados. Diz a lenda que do Titicaca - com água em torno de 13 a.C - surgiu o inca Manco Cápac, fundador do império.

O principal destino da maior parte dos barcos é a Ilha do Sol, na parte boliviana. Tem cerca de 3 mil moradores e é bem menos inóspita que as outras. Nela os viajantes fazem trilhas e podem passar a noite. Dá para acampar ou escolher uma hospedaria simples (geralmente quartos nas casas de nativos).

Aqueles que não abrem mão do conforto podem ficar na Posada del Inca, único hotel nas ilhas do lago. Há também barraquinhas de artesanato e restaurantes - das pequenas vendas aos mais sofisticados para o local. Servem peixe. Mas melhor que o prato é comer diante do cenário.

Para facilitar a vida dos turistas durante as caminhadas um nativo acompanha o grupo puxando um lhama. É o animal que carrega casacos, bolsas e malas. Mesmo assim, o sol forte e a altitude fazem muita gente perder o fôlego. Nesse caso, os guias ensinam a reconhecer uma plantinha chamada koa. Basta arrancar algumas folhinhas do chão, esfregar nas mãos e cheirar. Você volta a respirar normalmente e a sensação de alívio é imediata.

A Ilha do Sol é uma exceção se comparada às outras 43. Na maioria delas, vivem índios cujo idioma é o aimara - civilização anterior à inca. Segundo o gerente de uma empresa de Turismo de La Paz, Erich M. Hochhauser, muitas foram sondadas por grupos hoteleiros, mas os nativos não permitiram que construíssem nada. Alguns, no entanto, deixam o viajante passar a noite na casa deles, só que é preciso bater na porta e pedir.

A Ilha da Lua, também na Bolívia, é outra para visitar. Mulheres e crianças correm com cestas de artesanato na direção do turista. Lá moram cerca de cem pessoas, vivendo da pesca. Das construções incas, sobram muralhas e pedaços do colégio que abrigava as virgens. O resto foi usado na construção das igrejas de Copacabana, cidade à beira do lago.

(*) colaborou Agência Estado.