A reclamação é de que várias pessoas teriam sido lesadas pela Baurutel, que operava no mercado de telefones.
Cinco pessoas procuraram o Jornal da Cidade, ontem, para reclamar que teriam sido lesadas pela empresa Baurutel, que administrava linhas telefônicas na cidade desde 1996, aproximadamente. No mês passado, a empresa fechou as portas, deixando situações pendentes e contratos não cumpridos com um grande número de clientes. Segundo o coordenador do Procon, Silvio Orti, as queixas registradas no órgão de defesa do consumidor contra a Baurutel estão girando em torno de 25% do total de reclamações mensais, que são cerca de 180.
Juridicamente, a empresa está registrada no nome de Cláudia Fraga Abreu, com quem a reportagem entrou em contato, ontem. Porém, a resposta foi de que ela não poderia responder pela empresa pelo fato de não administrá-la. A empresa só estava no meu nome mas não tinha nada haver comigo. Quem cuidava da Baurutel era o meu pai, afirmou. A reportagem solicitou à Cláudia, por duas vezes, que localizasse o pai para que ele entrasse em contato com o JC o mais rápido possível. Mas, até o fechamento desta edição, a reportagem não foi procurada.
O primeiro ex-cliente da Baurutel que denunciou a empresa ao JC foi José Carlos Branco, para falar do problema ocorrido com seu sogro, Pedro Paulino de Freitas. Segundo contou o denunciante, Freitas possuía duas linhas telefônicas que foram deixadas sob a administração da Baurutel para serem alugadas. Além dessas duas linhas, havia outra no nome de sua filha, Sônia de Freitas Branco, e mais uma pertencente a um parente, Aristóteles Antonio da Silva. Todas eram alugadas através da Baurutel.
Como o valor do aluguel era muito baixo, meu sogro ia receber o dinheiro a cada três ou quatro meses. Na segunda-feira desta semana, ele foi renovar o cheque especial no banco e foi informado de que não poderia, porque o seu nome estava no Serasa devido à falta de pagamento de contas telefônicas. Ele estranhou e foi direto à sede da Baurutel, na quadra 10 da avenida Duque de Caixas. Chegando lá, não havia mais nada no local. Agora, além de estar com o nome sujo na praça injustamente, porque foram as pessoas que alugavam as linhas dele que não pagaram as contas e a Baurutel não tomou providências, a Telefonica pegou de volta uma das linhas, as outras três estão bloqueadas e existem duas contas caríssimas no nome do meu sogro, sendo uma de R$ 1.250,00, da Telefonica, e outra no valor de R$ 1.400,00 da Embratel, que tem até ligações para os Estados Unidos, conta Branco.
Diante do fato, Freitas contratou um advogado que está ultimando os preparativos para ingressar com uma ação contra a Baurutel e com uma medida cautelar para tirar o nome de Freitas do cadastro do Serasa. Informações extra-oficiais obtidas pelo JC através de uma pessoa que trabalhava na empresa, mas pediu para ter seu nome preservado, dão conta de que a Baurutel fechou as portas no dia 23 de julho. Os funcionários não teriam recebido nenhuma informação sobre as razões do fechamento e ficaram sem receber salário.
Transferências
Osvaldo Cerci é outro ex-cliente que faz parte do grupo de pessoas que falaram com o JC ontem. Segundo conta, no dia 20 de outubro de 1999 ele começou a pagar a primeira das 24 parcelas de R$ 59,99 para a aquisição de uma linha telefônica, conforme consta em contrato firmado com a Baurutel e apresentado pelo reclamante à reportagem. Ele pagou 22 parcelas e, no final do mês passado, se surpreendeu ao encontrar vazio o prédio que era ocupado pela empresa. Resultado: Cerci não consegue transferir a linha para o seu nome. Depois de ter pago 22 parcelas do telefone que eu comprei na Baurutel, agora não consigo transferí-lo para o meu nome, porque ninguém sabe onde estão os responsáveis pela empresa. Ainda não sei o que vou fazer para tentar resolver a situação, lamenta Cerci.
Inês Oliveira Gonçalves Nascimento conta que comprou uma linha telefônica na Baurutel em janeiro deste ano, terminando de pagar as prestações em junho. Mas, ficou faltando transferir o telefone para o nome dela. No início de julho, uma funcionária da Baurutel me ligou perguntando se eu já tinha quitado minha última prestação. Eu disse que sim e ela falou que eu poderia procurar a empresa em agosto para acertar a transferência para o meu nome. Quando fui até lá, este mês, a empresa não existia mais. Agora, paguei por um bem que me pertence e não consigo colocá-lo em meu nome, porque a linha ainda consta como sendo do Baurutel, diz Inês.
O reclamante Luiz de Queirós está em situação similar. Pagou a última prestação da linha que adquiriu no dia 5 de junho, mas ainda não foi transferida para o seu nome. José Aparecido Costa diz que está com uma linha provisória, que seria passada a ele definitivamente em setembro. Antes de finalizar o negócio, a empresa fechou as portas.
Procon: queixas antigas
O coordenador do Procon, Silvio Orti, afirma que, ultimamente, a Baurutel tem sido o alvo de aproximadamente 25% do total de reclamações registradas no órgão por mês, que gira em torno de 180. Porém, as queixas de clientes da empresa seriam antigas. O Procon sempre recebeu muitas reclamações contra a Baurutel. Geralmente, eram pessoas dizendo que o contrato não estava sendo cumprido ou alegando deficiência na administração dos serviços que foram contratados pela empresa. Do começo do ano para cá, as reclamações aumentaram muito, culminando com uma grande quantidade após o fechamento sem explicações, observa Orti.
De acordo com ele, de todas as audiências de conciliação entre empresa e cliente marcadas pelo Procon, que foram várias, em nenhuma delas a Baurutel compareceu. Os casos foram encaminhados ao Juizado de Pequenas Causas. Para Orti, isso mostrava o total desinteresse da empresa em resolver os problemas que iam surgindo e o desrespeito em relação aos princípios do Código de Defesa do Consumidor.
De acordo com Orti, o caminho ideal para as pessoas que enfrentam problemas com a Baurutel seria procurar um advogado para entrar com ação específica na Justiça comum, com pedido de tutela para preservar os direitos do consumidor.