07 de julho de 2026
Geral

ZÉLIA E A ABL

Marco Antonio de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

ZÉLIA E A ABL

Nem bem desceu à cova seu marido Jorge Amado, a escritora Zélia Gattai se apressa a inscrever-se junto à Academia Brasileira de Letras, visando ocupar a cadeira que foi de Jorge. O açodamento, certamente, decorre do receio que outros candidatos (Paulo Coelho e Jô Soares) se abalassem a apresentar-se antes dela.

Tirante o comportamento pouco ético de dona Zélia, a quem as láureas e louros parecem interessar mais do que prantear o falecido e dito amantíssimo esposo, fica o registro de que o famoso sodalício se prestará (já se informa que Zélia já tem a maioria dos votos) mais uma vez ao jogo político, ao jogo da piedade, ao jogo da mídia. Vender livros neste pobre Brasil nunca esteve diretamente ligado ao conteúdo das obras. Jorge Amado, com uma literatura mediana, pobre na qualidade, embora copiosa no baixo calão, apesar da fama como ex-comunista (há tempo que se tornou carlista, sarneyzista, caetanista e outros epítetos menores) vem perdendo o galardão do autor mais publicado no Brasil para o indefectível Paulo Coelho. Que por sua vez, parece perder a palma apenas para Carlos Zéfiro (aquele dos catecismos da adolescência).

Enquanto isso, hoje pouco se fala de Machado Assis, consistentemente o maior autor brasileiro de todos os tempos.

Dona Zélia tem apenas alguns livrinhos contando a saga de sua família, o que, reconheça-se, seria pouco para capacitá-la à condição de imortal. Porém, como nosso país não leva a sério coisa nenhuma, já vejo Zélia vestindo o fardão (ou a camisola de dormir ?) que por certo receberá de presente do povo e governo da Bahia. E reunindo-se nas amenas tardes do Rio, tomando chazinho com biscoitos, na doce e alegre tertúlia dos imortais.

Enquanto isto, nós os mortais que trabalham, andamos a engolir a Argentina (na economia e no futebol), a movimentarmo-nos com o cuidado de novos-cegos (devido à escassez de energia) e a aturar, sem merecer, Fernando Henrique, Jader, Aécio Neves (que ainda não se olhou ao espelho) e todas as empulhações que constituem o seu existir.

Atenciosamente. (Marco Antônio de Souza - OAB/SP 55.799 - E-mail : longines@uol.com.br)