08 de julho de 2026
Geral

Que o bônus não demore

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Todos quantos, mesmo atribuindo-o a algum milagre, tenham conseguido reduzir seu consumo de energia elétrica no primeiro mês de racionamento, adaptando-o aos índices definidos pelo apagão, estão começando a receber efusivas congratulações da Força e Luz, que, para tanto, imprimiu nas suas faturas simpática mensagem, dizendo: Parabéns. Energia consumida ficou abaixo da meta ajustada para o período de fornecimento do mês. Obrigado pela colaboração.

Aqueles que, costumeiramente, recebem a conta da empresa e fecham os olhos aos detalhes, só se preocupando em saber logo quanto vão ter de pagar, peguem a nota fiscal do mês passado e, certamente, se surpreenderão com os bondosos cumprimentos a eles consignados. E vão sorrir não só em função da mensagem, sem dúvida bastante afetiva, tocando mesmo o coração, mas porque sabem que não é comum as organizações comerciais, industriais e de serviços do País descerem de seus altos pedestais e tirarem o chapéu para seus clientes nas oportunidades especiais que se lhes apresentem. Parecem indiferentes aos sentimentos dos fregueses, por mais categorizados, social e profissionalmente, que possam ser ou parecer. Nem aniversários natalícios ou homenagens com as quais, por qualquer motivo, venham os clientes a ser distinguidos pela sociedade ou pelos poderes públicos, conseguem levar o empresariado, salvo poucas exceções, a se abrirem em cortesias com manifestações congratulatórias desse tipo. Então, a atitude da permissionária de eletricidade, apagando as luzes das cidades e dos edifícios e acendendo ao mesmo tempo os ânimos das populações, ganha, pela sua excelente intenção, toda a simpatia da clientela, conforme a mídia tem tido a oportunidade de ouvir de consumidores, para os quais, os problemas nascidos da minimização do consumo têm, nas felicitações da concessionária, um bocado de agradável compensação, merecendo até cordiais agradecimentos. Mas não é só isso o que a prezada organização pode fazer para tranqüilidade de seus clientes, pois, sem considerar uma repetição daquela gentileza e, sim, cumprimento de um dever de justiça, deveria ela diligenciar, ao mesmo tempo, para que o ressarcimento financeiro do enorme sacrifício despendido pelas populações (pagamento do bônus deferido no regulamento do apagão) venha a ser efetuado imediatamente, sem qualquer demora. Ouro sobre azul, proclamaria a grande massa de consumidores, ora sofrendo bastante com os choques do racionamento, ainda que lembrando que a fornecedora não tem culpa nenhuma de a natureza marvada negar-lhe chuvas abundantes para formação de imensos mananciais produtores de energia. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.