08 de julho de 2026
Geral

HÁ ALGO DE ESTRANHO...

Dr. Luiz Fernando Ribeiro
| Tempo de leitura: 2 min

Minha longa vinculação ao PMDB concede-me autoridade para afirmar que a posição do senador Jader Barbalho é extremamente complicada, sendo cada vez mais fortes os indícios de sua participação em atos ilícitos. Confirmada, deve ser punido. É o que diz a lei. Porém, há algo de estranho ao mesmo tempo o desaparecimento em noticiários da grande imprensa de denúncias contra o governador José Ignácio, do Espírito Santo, pertencente ao mesmo partido do presidente da República. O que se encontra são pequenas notas perdidas em páginas internas, dizendo de negociações para evitar uma CPI na Assembléia Legislativa do estado. Pode-se colocar sob suspeição o possível custo desse tipo de negociata.

Há, ainda, algo de estranho em pouco se falar do novo acordo com o Fundo Monetário Internacional, exigindo elevação do superávit primário, cortes de investimentos e aumento brutal do endividamento externo. Análises de repercussão do acordo são ausentes, deixando-se de lado o que isso representará no dia a dia do brasileiro comum. Simplesmente nada se comenta! Conclusão lógica - o FMI é um pai para o Brasil.

Há algo de estranho quando o Produto Interno Bruto cresce quase nada no trimestre, há uma redução de postos de trabalho, a inflação atinge patamares perigosos, a violência urbana aumenta, os motins nos presídios são diários, os servidores públicos da Previdência entram em greve por correção de salários determinada na Constituição, há 50 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza, o governo brasileiro não cumpre seus compromissos com o Unicef e a imprensa brasileira insiste em dedicar-se exclusivamente ao senador (ainda) Jader Barbalho. Estratégia semelhante, pois não pode se chamar de ocorrência ao acaso, já havia sido praticada quando da violação do painel do Senado. Além do desvio de atenção da tentativa de instalação da CPI da corrupção, fez aplicar o coletivo de imoralidade a toda classe política.

Há algo de estranho. Ouso afirmar ser uma estratégia bem definida, na tentativa de ocultar-se fatos também graves que necessitam esclarecimentos, cobrando-se explicações e justificativas e repudiando neologismos e sofismas. Cobro punição ao senador Jader Barbalho. Porém, a imprensa deve exercer uma eterna vigilância, com competência e neutralidade. A não ser que algo de estranho esteja ocorrendo em suas entranhas. (Dr. Luiz Fernando Ribeiro - RG 3.114.261)