10 de julho de 2026
Geral

Atualmente considerado o 2.º melhor do Estado, zôo comemora inaugurando, domingo, um setor das aves gigantes.

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 10 min

O 2.º melhor zoológico do Estado comemora 21 anos inaugurando a 5.ª coleção completa de aves gigantes do País.

O Zoológico Municipal de Bauru comemora, hoje, seus 21 anos de existência. Inaugurado em 24 de agosto de 1980, ele é considerado o segundo melhor zôo do Estado de São Paulo, só perdendo para o da Capital. Para comemorar, a direção do local reforça sua tradição de ampliação constante inaugurando, neste domingo, o Setor das Aves Gigantes.

De acordo com o zootecnista Luiz Antônio Pires, responsável pelo Zôo há 19 anos, esta será a quinta coleção completa de aves gigantes em todo o Brasil e a primeira coleção abrigada numa cidade de Interior. As outras quatro coleções estão em zoológicos de capitais: São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte.

Além do tamanho, as aves gigantes têm outra característica peculiar: são ratitas, ou seja, têm as asas atrofiadas e não podem voar. As aves gigantes compreendem as avestruzes, emas, emus e casuares. Para se ter uma idéia, um avestruz pode chegar a pesar 150 quilos. A partir deste domingo, os visitantes poderão ver um casal de cada uma destas aves no novo setor, que está sendo montado próximo às jaulas dos macacos.

Perfil

O Zoológico de Bauru tem uma área de 20 hectares, dos quais aproximadamente seis estão ocupados pelas instalações, sendo o restante de vegetação nativa. O local abriga, atualmente, cerca de 600 animais, pertencentes a 250 espécies diferentes, incluindo aves, répteis, peixes e mamíferos.

De acordo com Luiz Pires, o animal mais velho do zôo é o urso, que tem cerca de 55 anos. A expectativa de vida da espécie varia entre 40 e 45 anos, mas é normal o animal viver mais tempo em cativeiro, pelas condições de vida que tem. Na natureza, um urso com esta idade não conseguiria encontrar comida mais e não teria forças para vencer uma briga com outro urso. Só que a idade tem um preço. Ele está com catarata nos dois olhos, tem sopro no coração, já teve quatro dentes extraídos e tem algumas manias, como, em algumas épocas do ano, se recusar a comer e ter que ser alimentado com papinha na boca, contou Pires.

Apesar da idade, porém, o urso não é o animal com mais tempo de zôo. Este cargo é ocupado por uma arara canindé e uma arara vermelha, aves que pertenciam ao primeiro lote de animais recebidos. Elas pertenciam ao zôo de Bastos, que foi desativado e teve suas espécies encaminhadas para Bauru.

Além disso, Bauru orgulha-se, também, de abrigar algumas espécies raras, como o mandril (macaco africano azul) e a harpia (espécie brasileira de gavião). Também há os pingüins de Magalhães e o camelo. Mesmo com tudo isso, segundo Pires, o animal mais visitado, por mais que o tempo passe e por mais novidades que a direção traga, ainda é o rei das selvas, o sr. leão.

Manutenção

O principal diferencial do Zôo de Bauru é que tudo é feito, pensado e planejado em função dos animais - considerando o bem-estar deles em primeiro lugar e não o dos visitantes, salientou o zootecnista. Para funcionar adequadamente, o Zoológico conta com uma equipe de 48 funcionários, incluindo veterinários, tratadores, varredores, pedreiros, auxiliares de escritório, vigilantes, entre outros.

A rotina começa às 6 horas, quando chega o funcionário da cozinha, a quem cabe lavar, descascar e picar frutas, verduras e legumes para a primeira refeição dos moradores. A comida é distribuída em bandejas, montada conforme o hábito alimentar de cada espécie. Os demais funcionários começam a chegar por volta das 7 horas. Técnicos percorrem todos os setores, verificando se houve algum nascimento, se houve brigas e se há animais feridos ou se há alguma outra anormalidade. Os tratadores levam as bandejas até as jaulas, outros funcionários cuidam da limpeza destas jaulas, outros varrem as ruas e limpam os banheiros públicos do Zôo. Quando os portões são abertos ao público, tudo já está devidamente checado e em ordem.

Refeições

Pires explicou que a alimentação dos animais varia muito de uma espécie para outra. Aqueles que comem frutas e vegetais recebem duas refeições diárias, porque as frutas perdem suas vitaminas pouco tempo depois de picadas. Já os carnívoros são alimentados uma única vez ao dia, aos finais de tarde.

De acordo com Pires, toda a carne bovina usada na alimentação dos animais é doada pelo Frigorífico Mondelli, desde a inauguração do Zôo. São aproximadamente 1,5 mil kg de carne por mês, além do pescoço de frango e das sardinhas, adquiridos pela própria Administração. Além disso, são gastos mais de 2,5 mil caixas de frutas e cerca de 1,5 caixas de verduras e legumes, 600 dúzias de ovos, 1,3 sacos de ração e 2,4 mil kg de pão (Conforme quadro ao lado).

Exceto pela carne bovina, que nos é doada, todo o restante da alimentação é custeado pela renda obtida dos próprios visitantes do zôo, contou o diretor. Atualmente, a média de visitações do local tem girado em torno de 3 mil pessoas por mês, mas os grupos de excursão entram gratuitamente.

Futuro

O diretor do Zôo afirmou que as perspectivas para o futuro são continuar andando, a passos curtos, porém bem marcados, crescendo cada vez mais e buscando uma independência maior das flutuações das crises. Segundo Pires, quando se trata de administrar um bem público, a falta de recursos é o maior desafio, principalmente quando mudam as administrações ou quando a cidade passa por dificuldades financeiras

Felizmente, ano passado, a Prefeitura nos autorizou a criar um Fundo de Manutenção e Ampliação do Zôo, responsável pelo gerenciamento dos recursos obtidos, disse.

Segundo ele, o segredo do sucesso e do crescimento do Zoológico de Bauru está na filosofia adotada e na dedicação de seus funcionários. Temos um grupo de funcionários que trabalha há mais de dez anos no Zôo. Eles vestem a camisa, brigam e defendem o Zôo, mesmo nas dificuldades. Conseguimos mostrar para a comunidade e para os administradores a verdadeira importância do Zôo, que é zelar pela preservação dos animais, pesquisando as melhores formas de conservação e reprodução das espécies. O lazer vem como conseqüência. Se, hoje, o Zôo de Bauru anda e cresce, a grande receita é o amor destes funcionários, concluiu.

Serviço

A inauguração do Setor de Aves Gigantes está marcada para este domingo, às 15 horas, mas o local já estará aberto para visitação pela manhã. A entrada do Zôo custa R$ 1,00 por pessoa.

Momentos marcantes

Questionado sobre os momentos mais marcantes da história do Zoológico, Luiz Pires citou, em primeiro lugar, todas as inaugurações e ampliações: Elas são a concretização das nossas idealizações depois de todas as dificuldades que sempre encontramos na esfera pública.

Também são marcantes, segundo o zootecnista, os nascimentos raros e inesperados, como o nascimento das estrelas-do-mar vermelhas, em 1988. Nós soltamos os filhotes no mesmo mar de onde saíram os reprodutores. Depois, em 1993, o nascimento do mico-leão-dourado, que foi a primeira reprodução em cativeiro da espécie no Brasil, lembrou. Sem contar a experiência vivida no ano passado, quando um jornalista passou um domingo inteiro exposto numa jaula no setor dos macacos, sendo chamado por todos de bicho-homem.

Mas os momentos marcantes também estão recheados de situações tristes, como a morte de uma onça pintada, que foi asfixiada depois de comer um saco de salgadinhos que fora jogado dentro da jaula e um episódio em que um visitante jogou um paralelepípedo na cabeça de um jacaré.

Até 1986, o comportamento dos visitantes era um sério problema. Tanto, que tínhamos que fechar o Zoológico às segundas-feiras para recuperar os estragos do fim de semana. De lá para cá, iniciamos um forte trabalho educativo, explicando às crianças, colocando placas por todos os cantos. Isso foi mudando. Hoje, o Zoológico fica aberto o ano todo, só fechando nos feriados de Natal e Ano Novo, comemorou.

Indagado sobre o registro de acidentes nestes 21 anos, Pires contou que, certa vez, um funcionário ficou ferido ao levar uma patada da leoa. Em outra circunstância, um lobo guará conseguiu abrir uma porta de segurança e mordeu o funcionário dentro da jaula. Mais recentemente, um jardineiro foi picado por um filhote de jararaca quando limpava o Zôo. Num outro momento, um garoto desobedeceu o limite de segurança, pulou o muro e foi atacado por um chimpanzé, perdendo um pedaço do dedo mindinho.

Porém, o acidente mais lamentado por Pires foi quando, por descuido de um funcionário no manejo das portas, um chimpanzé escapou da jaula. O local foi cercado por vários funcionários, que fizeram de tudo para anestesiá-lo. No entanto, o animal foi ficando cada vez mais bravo e, quando ameaçava sair dos limites do Zôo, Pires foi obrigado a ordenar seu sacrifício. Foi horrível. Era uma ordem que vai totalmente contra esse trabalho de anos que prioriza o bem-estar do animal, desabafou.

Zoológico é opção essencial de lazer

Acho que é inadmissível uma cidade não ter um zoológico. Toda criança quer conhecer um. É uma loucura, é a sensação, não podia faltar essa opção de lazer em Bauru. Foi com esta afirmação que o idealizador do Zoológico Municipal de Bauru, Oswaldo Sbeghen, explicou sua iniciativa de construir, em 1980, o que hoje é considerado o segundo melhor zôo do Estado de São Paulo.

Mas a concretização desta idéia não foi fácil. Sbeghen contou que sempre sonhou com um zoológico em Bauru. Até que, em 1977, eleito prefeito, pôde dar os primeiros passos na realização deste sonho.

Eu costumava percorrer a cidade de carro todos os dias de manhã. Certo dia, passando pela rodovia Bauru-Jaú, olhei para aquela mata e perguntei para um funcionário antigo da Prefeitura a quem pertencia aquela área. Ele me disse que era da Prefeitura, abriu uma porteira e eu entrei para ver. Aquela mata linda me entusiasmou. À tarde, chamei os advogados para saber mais, contou.

Estes advogados, no entanto, informaram que a área enfrentava um problema judicial. Havia cerca de seis famílias morando no local e que se diziam donas do terreno. Sbeghen pediu um relatório completo e, ao confirmar que a área pertencia ao Município, iniciou a ação de despejo. Na época, isso gerou um problema social. Quando o oficial de Justiça foi retirar as famílias, nós fomos junto e fizemos a remoção das famílias para casas do Jardim Terra Branca que, na época, haviam sido abandonadas por inadimplência, disse.

A partir daí, a Prefeitura construiu uma casa na parte alta do Zôo e colocou um caseiro para tomar conta e evitar novas invasões. Enquanto isso, visitou outros zoológicos para conhecer e eu início às obras, que começaram de forma muito modesta. Minha maior preocupação era com a cidade. Felizmente, passamos por um período longo de seca e a cidade estava sem buracos. Assim, eu pude desviar as máquinas e os funcionários para o zoológico e fazer as obras, explicou.

Ele ordenou o aterro próximo ao riacho, que resultou no lago existente até hoje. E ordenou que as ruas fossem feitas de paralelepípedo e não de asfalto, para possibilitar o contorno às árvores e evitar o desmatamento agressivo. Nasci em sítio, fui criado na fazenda. Gosto e respeito muito a natureza. Hoje, fico orgulhoso em saber que ele cresceu. Fico orgulhoso em saber que, quando escolhi Luiz Pires para tomar conta do zôo, em 1982, coloquei a pessoa certa no lugar certo. E fico feliz que os outros prefeitos tenham mantido assim, permitindo que ele desse seqüência a esse belo trabalho que temos hoje, acrescentou.