09 de julho de 2026
Geral

Quebra de patente de remédio da aids pode beneficiar doentes

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

A quebra de patente do remédio Neufinavir, um dos 12 componentes do coquetel usado no tratamento da aids, determinada anteontem pelo ministro da Saúde, José Serra, vai resultar em economia para a União e, assim, mais pacientes poderão ser atendidos, inclusive com novos medicamentos que estão sendo lançados. Essa é a opinião do médico infectologista Fernando Casquel Monti e da coordenadora do Programa DST/Aids do Município, Eliane Monteiro.

Em Bauru, de acordo com Eliane, 537 pacientes, incluindo 37 crianças, recebem o coquetel para tratamento da aids. O tratamento à base de coquetel, conforme explicou, está dando bons resultados, pois as condições de saúde dos pacientes melhoraram significativamente. Dessa forma, pessoas que já estão desenvolvendo a doença podem manter suas atividades normalmente.

O Neufinavir, até agora, era fabricado apenas pelo laboratório Roche, ao preço de US$ 1,36 o comprimido, o que elevava muito o custo final do coquetel. Para importar o Neufinavir, a União gastava cerca de 25% do orçamento destinado à compra de remédios importados para o coquetel.

Com a quebra de patente, o medicamento passará a ser fabricado pelo laboratório Farmanguinhos, da Fiocruz, por um custo 40% menor. Monti explicou que o Neufinavir é um inibidor de protease, remédio utilizado no coquetel destinado aos pacientes que estão iniciando o tratamento.

Como o coquetel para tratamento da aids é distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a todos os pacientes, independente da condição social, a economia será da União. Monti disse que a quebra de patente é importante porque vai resultar em economia ao Ministério da Saúde, que poderá manter a distribuição do coquetel a todos os pacientes.

Em função do aumento no número de pacientes, a União estaria preocupada com a possibilidade de manter a distribuição do coquetel gratuitamente. O Brasil é o único País que distribui gratuitamente o coquetel a todas as pessoas com aids.

Além disso, com a economia, os pacientes podem ser beneficiados com a inclusão, na lista do SUS, de novos medicamentos para a aids. Sem essa economia, na opinião de Monti, ficaria mais difícil o Ministério da Saúde adquirir novos remédios. O médico disse que os laboratórios que têm suas patentes quebradas argumentam, mas não há comprovação científica, que o medicamento fabricado por eles é de melhor qualidade.

A coordenadora do Programa DST/Aids do Município, Eliane Monteiro, ressaltou, no entanto, que nem todas as pessoas HIV positivo reagem bem ao coquetel. Algumas, em função dos efeitos colaterais, acabam deixando de usar o coquetel. Em Bauru, de acordo com ela, todos os pacientes que aceitam bem o medicamento estão recebendo o coquetel.