09 de julho de 2026
Geral

Ambulantes falam em perseguição

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Pelo menos dois deles prestaram depoimento à polícia e disseram que são discriminados por não pagar taxa ao sindicato.

Dois ambulantes, que preferem ter seus nomes preservados por receio de represálias, confirmaram à Polícia Civil que são perseguidos por não pagarem taxas ao sindicato da categoria como condição para instalarem barracas no comércio central da cidade. As informações são de que o delegado do 3º. DP, Marcelo Haddad, recebeu o nome de fiscais que agiriam, coincidentemente, contra os camelôs que não são sindicalizados. O inquérito está em andamento no 3º. DP, a partir de denúncia feita pelo vereador Faria Neto (PDT), na tribuna da Câmara. O vereador acusou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Economia Informal, Mário Augusto dos Santos, de pressionar os ambulantes a se sindicalizarem para manter os pontos.

Conforme um dos depoentes, há uma relação amigável entre o presidente do sindicato e alguns fiscais. O ambulante ainda citou que as mulheres sofrem pressão ainda maior por não aceitarem estar filiadas ao sindicato da categoria como condição para trabalharem sem interferência nos pontos existentes no Centro da cidade. Com esses depoimentos, já são quatro os ambulantes que confirmam a pressão feita pelo presidente do sindicato, Mário Augusto dos Santos, para o pagamento de R$ 50,00 para a emissão da carteirinha da entidade, além da cobrança de uma taxa de R$ 10,00 mensais para que possam trabalhar sem enfrentar problemas no Centro.

O vereador Faria Neto, autor da denúncia, levou à Polícia Civil uma relação com os nomes de 10 vendedores ambulantes que confirmam o fato. Eles estão sendo ouvidos pelo delegado Marcelo Haddad. Faria Neto confirmou a acusação em seu depoimento. Ele também salientou que acho esquisito que o presidente do sindicato detenha o poder de distribuição de vagas para os camelôs. Ele não é o Poder Público neste caso, ele é o informal. Não estou dizendo que os fiscais são corruptos, mas estou advertindo que, no mínimo, alguns fiscais estão muito próximos da pressão exercida sobre aqueles que não se sindicalizaram e isso precisa e está sendo apurado. Os fiscais também têm que avaliar se não estão sendo usados pelo presidente do sindicato nessa história, comentou.

O vereador criticou que o presidente do sindicato não tem que dizer quem sai ou não do Centro. A distribuição dos pontos não pode ter sua interferência e a Prefeitura tem que se atentar para isso. O vereador Faria Neto acusou, na última segunda-feira, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Economia Informal de Bauru, Mário Augusto dos Santos, de vender ilegalmente pontos de barraqueiros instalados no Centro da cidade. Ele usou a tribuna da Câmara Municipal, durante a sessão legislativa, para fazer a denúncia.

O parlamentar disse que foi procurado por barraqueiros que relataram a situação e que preferiram se manter no anonimato para evitar retaliações. O pedetista acusa Santos de vender pontos de barracas aos trabalhadores e exigir deles a filiação à entidade sindical ao custo de R$ 50,00. Faria disse, ainda, que o sindicalista cobraria uma taxa de R$ 10,00 por mês para garantir o ponto aos barraqueiros. Quem não paga perde a barraca e o ponto em dois dias porque fiscais da Prefeitura autuam os barraqueiros. É muita coincidência a agilidade e a rapidez desses fiscais nos casos, insinuou.

Os fiscais da Prefeitura pediram a retratação do vereador, que manteve a acusação. O presidente do sindicato, Mário Augusto dos Santos, registrou, anteontem, boletim de ocorrência contra Faria Neto, por injúria e difamação.