07 de julho de 2026
Geral

EMINÊNCIA PARDA

Henrique Perazzi de Aquino
| Tempo de leitura: 1 min

Fábulas são fábulas. Acredita quem quiser. Eu conto o causo como me foi passado. Desta feita lhes contarei o acontecido num reino muito distante. Uma terra conhecida como Buracolândia, onde o rei havia sido reeleito para um novo mandato e fazia questão absoluta de apregoar para seus súditos, ser pessoa ilibada, de honestidade comprovada. Como se honestidade fosse coisa para ficar demonstrando e reafirmando a todo momento.

Para ser honesto, basta ser e pronto, nada mais. Ficar apregoando por aí já é mau sinal. Mas o que irei lhes contar chegou a deixar em dúvida sua beatificada honestidade. Conta-se que o rei tinha um assessor da sua extrema confiança, daqueles que nem querendo a gente consegue se desvencilhar. Verdadeiro carrapato. O tal do cara tinha lá um cargo, daqueles bons e certo dia, após uma sucessão de fatos mal esclarecidos, sob pressão popular, o rei se viu obrigado a exonerá-lo. Porém, o tal assessor possuía uma vontade irrefreável de continuar servindo aquele povo tão dócil e continuou dentro do palácio, de uma forma não oficialmente remunerada. O negócio vazou e todos ficaram sabendo que o assessor continuava assessorando.

Falava-se que até com mais poderes que antes. Perguntas ficaram sem respostas: por que esse vínculo tão forte? Como fazer para cortar tão resistente cordão umbilical? Será que um não conseguiria viver sem o outro? Foi o começo de nova crise dentro do reino. A fábula ainda não teve seu fim e fico impedido de contar mais, pois, segundo me disseram, a estória ainda vai ter desdobramentos. Longe de mim querer viver num lugar desses. (Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205)