Vale tudo pelas vendas. Em época de recessão e crise econômica, especialmente pelos lados portenhos, a indústria automobilística deve reduzir os juros para o financiamento de veículos e continuar realizando promoções para atingir a meta de comercializar 1,7 milhão de automóveis, conforme previsão elaborada no início deste ano.
Se alcançado, o resultado será 14,8% maior do que o de 2000. Os bancos das montadoras, responsáveis por metade de suas vendas a prazo, esperam que o Banco Central não eleve a taxa Selic nos próximos meses, garantindo fôlego para que segurem as taxas atuais e até reduzam alguns pontos.
Em junho, a taxa média para o financiamento de carros estava em 2,44% ao mês, a mais alta do primeiro semestre. O índice não leva em conta as promoções dos últimos dois meses, com taxas de 1,49%.
O panorama do segmento levou a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) a enfatizar a necessidade de manutenção das atividades que incentivem as vendas de veículos, a fim de evitar o risco de uma desaceleração dos negócios do setor.
As pretensões dos bancos das montadoras não são pequenas para o setor neste ano. As instituições querem financiar 652 mil veículos, 11,65% a mais do que em 2.000. Para isso, vão liberar R$ 8,5 bilhões em recursos, valor recorde no setor.
Mas, ao passo que os juros caem, a inadimplência cresce. No primeiro semestre, 5,08% dos clientes não pagaram as prestações em dia, contra 4,51% em igual período de 2.000. Das vendas previstas para o ano, 61% devem ser financiadas (CDC), 22% à vista, 13% por meio de consórcio e 4% pelo leasing.
Diante desse cenário, o negócio é ficar atento ao que o mercado automobolístico vai oferecer (leia-se promoções) a seus clientes daqui para frente.