Botucatu - Os 330 médicos residentes da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), aderiram anteontem à greve nacional da categoria. Os residentes mantiveram apenas os atendimentos de urgência e emergência.
O presidente da Associação dos Médicos Residentes de Botucatu, Marcos Ferreira Minicucci, disse não saber quantas pessoas vão deixar de ser atendidas. Ele garantiu que a greve não tem prazo para acabar e a tendência é de que todos os 17 mil médicos residentes do País parem até segunda-feira.
De acordo com Minicucci, os próximos residentes que devem cruzar os braços são os da USP, Ribeirão Preto e Unicamp. De acordo com o presidente da associação, a decisão de paralisar as atividades foi tomada em um congresso nacional da categoria, realizado entre os dias 16 a 20 deste mês.
Em Botucatu, os médicos residentes deixaram de atender grande parte dos serviços ambulatoriais e suspenderam as atividades cirúrgicas. Segundo Minicucci, quase todas as consultas estão sendo remarcadas. Os residentes organizaram-se de forma a manter os serviços essenciais, que devem ser mantidas por lei, segundo o presidente da associação.
Minicucci disse também que os residentes informaram o Conselho Regional de Medicina (CRM) e as prefeituras que estavam paralisando as atividades.
Reivindicações
A principal reivindicação dos médicos residentes é um reajuste salarial de 75%, referente aos últimos sete anos em que não houve qualquer aumento. Além disso, eles pedem o cumprimento de vários direitos adquiridos, previstos no programa de residência (e no estatuto da Comissão Nacional de Residência Médica) e que não são cumpridos, segundo os grevistas.
Em Botucatu, os residentes já contam com dois itens da pauta de reivindicações. Uma delas é o acompanhamento de professores e a outra é o auxílio moradia. De acordo com Minicucci, em alguns lugares em que a atividade não está ligada a faculdades de medicinas, os residentes são usados como mão-de-obra barata.
Outra reivindicação dos residentes é o respeito à carga horária determinada em 60 horas semanais. Atualmente, os residentes de Botucatu chegam a ultrapassar 80 horas. Eles também exigem o direito de folga após o plantão. Chegamos a ficar 36 horas direto quando o plantão emenda no dia normal, afirma o presidente da associação.
O movimento dos residentes já abrange várias cidades e instituições do Estado de São Paulo (incluindo a Unesp de Botucatu, a Famema, de Marília, São José do Rio Preto e Escola Paulista de Medicina), além dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Bahia.
As negociações estão sendo feitas com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), que é o órgão responsável pelo gerenciamento e pagamento das bolsas aos médicos residentes. A próxima reunião de negociação está marcada para terça-feira, dia 28, em Brasília.