Neste ano, várias dificuldades marcaram o mais famoso rodeio do Brasil. Até uma ameaça de greve de peões ocorreu.
A edição deste ano da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, que chega hoje ao final, não apresentou o mesmo brilho das edições passadas. Disputa entre emissoras de TV pela exclusividade da transmissão, atrações repetidas no palco e até greve de peões marcaram a versão deste ano do evento. Comerciantes que compraram espaço no Parque do Peão reclamaram do baixo movimento e de possíveis prejuízos.
Estou torcendo para conseguir vender R$ 15 mil até o final da festa para, pelo menos, empatar o que investi aqui, disse José Alves de Araujo, dono de uma das grandes barracas de comida do local, na última quinta-feira.
Ele contou que desde 1998 participa do evento. De lá para cá, segundo explicou, o movimento vem caindo gradativamente. A festa de 98 foi a melhor que eu trabalhei. Depois, fui notando uma diminuição de público e de movimento no comércio do Parque, salientou.
Neste ano, Araújo montou uma barraca de 35 metros de frente. Para trabalhar, trouxe 35 funcionários, a maioria deles de Maringá, no Paraná, sua cidade de origem. Investi R$ 22 mil na festa deste ano e estou com medo de não conseguir atingir esse valor em vendas, salientou.
Para atrair a atenção dos visitantes, os comerciantes estavam praticamente laçando clientes no Parque do Peão. Bastava passar próximo às barracas que os funcionários delas convidavam logo para entrar e conhecer os produtos de cada uma.
Jairo da Silva Pereira, proprietário de uma outra barraca de comidas instalada no Parque, acredita que o movimento nesta edição da Festa tenha caído 70%. Isto influencia diretamente no nosso faturamento, comentou. Para ele, o que atrapalhou as vendas neste ano foi a crise financeira do País. O brasileiro está sem dinheiro e acaba deixando a diversão de lado, disse.
Há 12 anos freqüentando a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, Pereira disse que nunca tinha visto uma situação como esta, de baixo movimento e vendas fracas.
No caso do comerciante José Lázaro Luz, a queda nas vendas foi de 30% comparado a igual período do ano passado, no mesmo evento. Na opinião dele, os preços dos produtos vendidos no Parque são muito altos, o que espanta a clientela. A gente é obrigado a vender por um preço alto para compensar os gastos com a compra do espaço e isso acaba atrapalhando as vendas, salientou.
Ele acusa a organização da Festa de cobrar valores muito altos pelos espaços para o comércio. Eles exploram os barraqueiros e os produtos têm que ser vendidos por preços elevados para compensar o investimento, salientou.
A organização da Festa não confirma a informação dos comerciantes de que o público estaria abaixo do esperado. De acordo com Joelma Fachini, da assessoria de imprensa da Festa do Peão, nos quatro primeiro dias do evento foi registrado um público de 380 mil pessoas. Ela acredita que, se não tivesse chovido na última quinta-feira, os visitantes teriam ultrapassado a marca de 1 milhão, que é o total esperado para os 11 dias do evento. O público está muito bom este ano. O que atrapalhou foi a chuva de quinta-feira (dia 23). Mas, acredito que, até domingo (hoje), nossa expectativa seja superada, disse Joelma.
Quanto à reclamação dos comerciantes, a assessora de imprensa disse que o público varia muito dependendo do produto. Quando se fala em venda, tem que analisar produtos, preços, é uma coisa um pouco mais complexa, ressaltou.
Greve
Na última quinta-feira, alguns incidentes acabaram abalando a realização da Festa. O primeiro empecilho foi a chuva que, depois de ter caído por cerca de meia hora torrencialmente, persistiu por toda a noite, em forma de garoa. Isso acabou afastando boa parte do público, que corria para se abrigar a cada precipitação.
Outro fato inusitado foi a ameaça de greve por parte dos peões da Federação Nacional de Rodeio Completo (FNRC). Os competidores das provas cronometradas ameaçaram não entrar na arena por discordar da premiação.
Os competidores das modalidades Três Tambores, Laço de Bezerro, Laço em Dupla e Bulldog decidiram não participar das provas de quinta. Para o presidente do clube Os Independentes, organizador do evento, Hussein Gemha Júnior, o brilho da festa não foi afetado pela decisão dos peões, já que a maioria dessas provas são realizadas durante o dia. Grande parte do público vem ao Parque do Peão à noite, para assistir as competições de montaria, disse.
Na manhã de sexta-feira, a greve foi cancelada e os competidores voltaram para a pista.
SP Centro produz clipe
O show das duplas César e Paulinho e Milionário e José Rico, realizado na noite de quinta-feira, na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, contou com a participação de Bauru. O clipe de abertura da apresentação, que teve duração de aproximadamente três minutos, foi produzido pela empresa bauruense SP Centro.
De acordo com o diretor geral da produtora, Kleber Santos, o material foi feito a pedido da gravadora das duplas. Warner East/West, em parceria com o clube Os Independentes. O clipe foi feito especialmente para a Festa de Barretos, explicou Santos.
Felipe Santos, filho do empresário, fez participação especial na produção, tocando berrante. As cenas foram gravadas no Recinto Mello Moraes, em Bauru.
A Produtora SP Centro tem atuado em dois segmentos com mais intensidade: o artístico e o empresarial. Para a Warner, por exemplo, nós fomos responsáveis pelo desenvolvimento de um documentário e do vídeo institucional da gravadora, explicou Santos.
Na área artística, a produtora bauruense tem acompanhado o cantor Daniel em suas diversas viagens, colhendo imagens e produzindo chamadas de shows e clipes.
Para isso, a empresa conta com equipamentos digitais de última geração e com uma equipe experiente de profissionais, antenada nas novidades do mercado.