Quando perguntada sobre o que sabia do Brasil antes de vir para cá com um grupo de jovens da sua igreja, a estudante americana Jessica Roof, de 14 anos, não poupa sinceridade: Achei que fosse ficar em alguma cabana no meio da floresta e que fosse ver cobras e aranhas em todo lugar. No final, foi muito melhor do que eu esperava, me espantei com o tamanho de Bauru e ficamos num ótimo hotel, contou. Temos essa idéia do País por causa dos documentários que vemos na televisão. Discovery Channel, por exemplo, o que mostram do Brasil são florestas e crianças pobres, justifica a também estudante americana Amanda Yohannes. Para nós, brasileiros, soa como um grande absurdo, mas o fato é que para os americanos, o Brasil ainda é um País que pode ser descrito, quando muito, em poucas palavras como carnaval, futebol, mulheres de biquíni, florestas tropicais, vida selvagem, pobreza e favelas. Mas se por um lado ainda é chocante perceber que bastante gente fora do País conhece muito pouco sobre nós, é bom saber que as impressões que o Brasil deixa nos seus visitantes do Norte são, na grande maioria dos casos, positivas. As pessoas aqui são muito receptivas e tratam os estrangeiros muito bem, mesmo sem conhecê-los direito, elogia Glenn Horrigan, o mais velho dos 21 companheiros de viagem de Jessica e Amanda.
O grupo de 23 americanos ficou 11dias em Bauru, vindo de Marilla, uma cidade de 4.500 habitantes no Interior do Estado americano de Nova York, onde fazem parte da Igreja Batista. Eles vieram para, como dizem, dividir a palavra do Senhor com os brasileiros, através de apresentações para jovens de canto e teatro em escolas da rede pública. Além de Bauru, os estudantes e seus monitores também visitaram Brotas e o parque Hopi Hari, próximo a Vinhedo.
A primeira surpresa que tiveram ao chegar no Brasil foi o desenvolvimento que encontraram nas cidades que contrariava a expectativa e a apreensão dos pais, amigos e parentes que ficaram na América do Norte. Os pais de alguns dos estudantes ficaram preocupados quando dissemos que viríamos para o Brasil. Alguns deles achavam que aqui era uma grande floresta, conta o jovem pastor Kevin Leary, líder do grupo, que já havia visitado o Brasil antes. Foi essa visita anterior que acalmou os ânimos e possibilitou a vinda dos estudantes. Nós viemos de uma cidade que fica numa região de fazendas, para cada pessoa, existem dez vacas. O que acontece é que, quando alguém pensa nos Estados Unidos, pensa em Nova York, Los Angeles, Disneyworld e não nas pequenas cidades e nas fazendas, embora os Estados Unidos tenha muito mais campo do que cidades grandes. Acho que acontece a mesma coisa quando pensamos no Brasil lá, mas meio que ao contrário. Pensamos logo na Amazônia, que é o que mais ouvimos falar do Brasil por lá, explica Leary.
O clima também agradou os turistas. Eu gostaria que o nosso inverno fosse como o de vocês, declara Gleen Horrigan, lembrando que na sua terra natal, a neve pode chegar a uma altura suficiente para cobrir uma pessoa.
A comida brasileira também foi bem aceita e eles experimentaram de tudo, do tradicional arroz com feijão aos desconhecidos churros. A comida daqui é muito boa e gostei muito do guaraná também, revela Brad Brosious, na sua segunda visita ao País. O refrigerante nacional agradou outros estudantes e os sucos naturais e a variedade de frutas frescas também fez sucesso. Nunca tinha comido um abacaxi tão bom como o que comi aqui e os sucos que vocês têm são uma coisa de outro mundo, diz o estudante John De Plato.
Receptividade
O que mais deixou os estrangeiros impressionados sobre o Brasil foi a maneira como eles foram recebidos. Se estivéssemos nos Estados Unidos, muita gente ouviria o que a gente tem a dizer, veria nossa apresentação, mas não daria a mínima importância, fariam isso por obrigação, resumem em côro os estudantes. Aqui somos até mimados, as pessoas não só nos ouvem, como querem se aproximar, conversar, fazer amizade, conta Amanda Yohannes. Quando voltarmos para casa vai ser diferente, vamos sentir falta, garante Jessica Roof, que trocou pulseiras com jovens estudantes brasileiras nas escolas que visitou e chegou até a dar autógrafos, assim como fizeram algumas de suas colegas de viagem. Nunca imaginamos que seria assim, não estávamos esperando, diz. Eu fiquei espantado, as pessoas se aproximavam e queriam nos conhecer, nos Estados Unidos não é assim, afirma Glenn Horrigan.