08 de julho de 2026
Geral

Tobias e o conflito no Oriente Médio

(*) B. Requena
| Tempo de leitura: 4 min

Causaram grande impacto e até mesmo indignação em vários setores da sociedade bauruense as declarações feitas pelo deputado Pedro Tobias, no último final de semana, ao JC. O parlamentar, que já ficou conhecido em determinadas situações por ousar e não dourar a pílula, desta vez tratou de um tema especialmente delicado para o mundo inteiro: o conflito árabe-israelense.

Longe de pretender censurar a opinião de Tobias, ao contrário, procurarei até deixar claro o respeito que aquelas considerações merecem, posto que, este agora bauruense, se não é e nem foi protagonista do que sucede praticamente desde antigos tempos bíblicos, naquela região, é pessoa muito próxima e vinculada por laços históricos, regionais e emocionais ao tema.

Pedro acerta quando diz que o Hamas (e eu acrescento, também o Hezbollah e a Jihad) não é um grupo terrorista. Tudo depende do ponto de vista. Tiradentes, Che Guevara também foram heróis para um lado e terroristas para o outro. E Israel não precisa criar, incentivar ou manter grupos semelhantes, pois já tem o seu Exército que desempenha esse papel. Tem também o Mossad que age como serviço de inteligência e vai à luta em missões especiais igualmente sangüinárias. Por coincidência, dois dias após o deputado ter externado sua opinião, o Exército de Israel eliminou o líder palestino da FPLP, Abu Ali Mustafá. Durante a atual Intifada já são 575 os palestinos mortos. Quanto aos israelenses, 154. A luta é desigual. É doloroso ver até crianças palestinas usando pedras e estilingues contra as metralhadoras judaicas.

Tobias não erra quando diz que a mídia internacional, em sua grande maioria, está vinculada aos EUA (de quem dizem ser Israel o 51º Estado).

Acerta o deputado quando diz que o atual governante israelense, o premiê gen. Ariel Sharon (melhor que fosse shallon, não é?) é um linha dura que no passado caçava (e era caçado) por Arafat, Habache e o próprio Mustafá, nas dunas de Neguev, em Golán ou mundo afora. O Estado foi entregue a Sharon porque a maioria queria endurecer no conflito.

A principal questão, nessa região, é a territorial. Antes da criação do Estado judeu, a Grã-Bretanha, junto com a Liga das Nações, estudava reservar a região africana onde hoje está Uganda para solucionar esse conflito. Mas as partes não aceitaram. Afinal, Israel é a Terra Prometida e nem judeus, nem árabes abrem mão de Jerusalém e de toda a Terra Santa.

Hoje, essa questão de território é muito relativa. O crescimento da população do Planeta está se desacelerando. O Japão, país minúsculo, é a segunda maior economia do mundo. Uma empresa que ocupa apenas um pequeno prédio, em Osaka, fatura mais que alguns Estados deste imenso Brasil. Território, portanto, é o de menos e a solução estaria nas mãos das grandes potências.

Pedro não é feliz, contudo, quando critica no local menos adequado a criação do Estado de Israel pelos países da ONU. Isso porque esse fato histórico não só teve o apoio do Brasil como era o nosso país que conduzia a Assembléia Geral da ONU naquele ano de 1947, através do gaúcho Oswaldo Aranha. Na partilha, também foi criada a Cisjordânia e o Brasil se orgulha de sua atuação. Só lamenta que o conflito continue.

Embora se compreenda, não é fácil concordar com Pedro quando defende o confronto em busca de solução. Si vis pacem, para bellum, diz a máxima latina (Se queres a paz, prepara-te para a guerra). É bom lembrar que o Brasil continua dando o exemplo. Tobias pode observar, em São Paulo, como que os judeus e árabes levam vida amistosa. Há casos até inacreditáveis e emocionantes de amizade! E é esse espírito que devemos difundir mundo afora, principalmente no Oriente Médio. Para pedir paz e serenar ânimos, recorro ao profeta do Líbano e poeta do belo e da paz, Gibran Khalil Gibran: Pudesse, eu seria o pacificador de vossa alma, transformando a discórdia entre vossos elementos em união e harmonia. Mas como poderei fazê-lo, a menos que vós próprios sejais também pacificadores, mais ainda, enamorados de todos vossos elementos? E já que sois um sopro na esfera de Deus e uma folha na floresta de Deus, também devereis descansar na razão e agir na paixão.

(*) B. Requena é editor de Internacional do JC.