10 de julho de 2026
Geral

Exposição do Centrinho mostra como é feita a reabilitação dos fissurados

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Mais de 18 painéis, com fotos e textos sobre o trabalho de reabilitação desenvolvido pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo, o Centrinho, estão expostos desde anteontem, na sala de reuniões de pós-graduação do hospital. Os trabalhos, que relatam a experiência clínica e terapêutica dos profissionais do Centrinho, foram apresentados durante o Congresso Internacional sobre Lesões Palatais e Anomalias Craniofaciais, na Suécia, em junho deste ano.

Os painéis atraíram a comunidade científica internacional e renderam ao Brasil a posição de sede do Congresso sobre Lesões Palatais e Anomalias Craniofaciais, em 2009. Entre os painéis expostos está o da conduta de atendimento adotada para crianças com seqüência de Pierre Robin. A apresentação é da pediatra Ilza Lazarini Marques e de nutricionista Suely Prietto Barros Almeida Peres.

Único no Brasil e reconhecido internacionalmente, o Projeto para Seqüência de Pierre Robin do Centrinho tem como um dos objetivos definir condutas criteriosas para o tratamento das crianças que apresentam essa seqüência nos primeiros meses de vida. Segundo a pediatra Ilza Lazarini Marques, que coordena o projeto, essa é a fase mais crítica para a criança com seqüência de Robin, pois nesse momento em que ela apresenta um rápido crescimento e desenvolvimento, sofre de desconforto respiratório, com conseqüentes dificuldades alimentares.

É importante investir nessa criança, pois o prognóstico para a seqüência de Robin, em geral, é muito bom. Essa criança, se não apresentar nenhuma síndrome genética associada, terá um desenvolvimento normal, afirma Ilza. Com o crescimento facial e o desenvolvimento neuromotor, a mandíbula cresce, a língua se anterioriza e os problemas respiratórios e alimentares, comuns na seqüência de Robin, são resolvidos.

Rotina de tratamento

Uma equipe interdisciplinar compõe o Programa de Atendimento e Pesquisa de Pacientes portadores de seqüência de Robin no HRAC. São necessários médicos pediatra, cirurgião-plástico e otorrinolaringologista; fonoaudiólogo, assistente social, enfermeiro, dentista, nutricionista e psicólogo para garantir o sucesso do tratamento.

Esse trabalho inicia-se no período neonatal e vai até o desenvolvimento da fala na criança. Ilza Lazarini Marques diz que a manifestação clínica do lactente portador de seqüência de Robin é bastante heterogênea, variando desde um quadro de dificuldades respiratórias e alimentares leves até graves crises de asfixia, podendo levar a criança ao óbito.

São dois os principais problemas que precisam ser resolvidos nos primeiros meses de vida: a dificuldade de respirar e, conseqüentemente, de se alimentar. Pensando nisso, a equipe do Centrinho desenvolveu algumas técnicas especiais, que vêm sendo aprimoradas. É realizado um estudo nasofaringoscópico prévio para definir o tratamento da seqüência de Robin. Novas modalidades de tratamento estão sendo desenvolvidas e adotadas, a exemplo de entubação nasofaríngea, dieta especial e técnicas fonoaudiológicas facilitadoras da alimentação. Em casos de maior gravidade, na dependência de estudos nasofaringoscópicos prévios, pode-se optar por técnicas cirúrgicas para aliviar o grave desconforto respiratório, como as cirurgias de glossopexia ou traqueostomia.

Serviço

A exposição Ciência e Carinho, do Centrinho, está na sala de reuniões da Pós-Graduação do Hospital, que fica na rua Sílvio Marchione, 3-20.

Palato

Uma das incógnitas estudadas pelos cientistas do Centrinho é a idade ideal para o fechamento cirúrgico do palato nas crianças portadoras de seqüência de Robin. Na rotina de tratamento do Centrinho para pacientes com esse tipo de fissura, a correção cirúrgica é feita a partir dos 12 meses de idade.

Para a cirurgiã-plástica e vice-coordenadora do projeto Robin, Telma Vidotto de Souza, a seqüência de Robin não se enquadra nessa rotina. Por isso, existe um programa específico para o seu tratamento. Os casos precisam ser muito bem estudados, pois o fechamento do palato, em momento inadequado, pode trazer prejuízos imediatos para a criança, como grave desconforto respiratório após o seu fechamento; nem sempre o palato desses pacientes pode ser fechado com um ano de idade. Cada caso deve ser particularizado, argumenta Telma.

O Centinho é um dos poucos centros de referência nacional para atendimento desses casos, recebendo pacientes de todas as regiões do País, possuindo elevado número de pacientes matriculados.