08 de julho de 2026
Geral

FOB-USP vai reformular pós-graduação com nota 2

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

A Comissão de Pós-Graduação da Faculdade de Odontologia de Bauru - Universidade de São Paulo (FOB-USP) pretende reformular o programa do curso de pós-graduação em Periodontia, que recebeu conceito 2 após avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A Capes realiza a avaliação dos cursos de pós-graduação do País a cada três anos, atribuindo conceitos de 1 (péssimo) a 7 (nível de excelência). Os cursos que obtêm conceitos 1 e 2 podem ser excluídos do Sistema Nacional de Pós-Graduação, ligado ao Ministério da Educação (MEC). Esse é o caso do curso de Periodontia da FOB-USP, que já foi descredenciado e não poderá realizar novos processos de seleção.

Ao contrário do que foi veiculado pela Agência Folha e publicado ontem pelo JC, a pós-graduação da FOB-USP não obteve conceito 2, mas apenas o curso de Periodontia. Os demais cursos, tanto de mestrado quanto de doutorado, receberam conceitos de 3 a 5. A afirmação é do professor Luiz Fernando Pegoraro, presidente da Comissão de Pós-Graduação da faculdade.

O curso de Periodontia foi o único entre os nove de mestrado e oito de doutorado a receber conceito inferior ao recomendado pela Capes. Apesar disso, os alunos não serão prejudicados porque, em avaliações anteriores, o curso obteve conceito acima de 3. Os estudantes terão seus diplomas assegurados e reconhecidos pelo MEC, garante Pegoraro.

Avaliação

De acordo com o presidente da Comissão de Pós-Graduação, o curso de Periodontia, que envolve pesquisas sobre gengiva, obteve conceito 2 porque passou por turbulências nos últimos dois anos.

Em razão de uma série de problemas envolvendo o Núcleo de Apoio a Pesquisas de Implante Odontológico (Napio), dois professores do curso foram afastados, o que representa quase 50% do corpo docente, explica Pegoraro.

O afastamento dos professores afetou diretamente o curso, uma vez que um dos critérios de avaliação da Capes se baseia na produção científica do corpo docente, o que inclui publicação de trabalhos em revistas científicas e participação em congressos e outros encontros de pesquisadores.

Além de não contar com a produção científica desses professores, os demais docentes tiveram que se dedicar integralmente ao ensino. Tudo isso afetou a performance do curso perante a Capes. Apesar desse problema, os alunos não foram prejudicados, porque a qualidade de ensino foi mantida. O curso existe há 30 anos e está é a primeira vez que recebe uma avaliação ruim, sustenta o professor.

Para garantir o recredenciamento do curso de Periodontia, o presidente da Comissão de Pós-Graduação da FOB-USP irá propor ao Departamento de Periodontia que reformule o programa do curso de pós-graduação.

A reavaliação de conceitos somente pode ser requisitada caso a avaliação não corresponda à realidade. E não foi isso o que ocorreu. O curso passou por problemas internos, que interferiram na produção científica e isto é um fato, portanto, não há o que ser revisto. A reformulação do programa é a alternativa mais viável, avalia Pegoraro.

A novo programa de Periodontia deverá ser enviada à Capes até setembro deste ano. Antes, a proposta do departamento deverá passar pela comissão de pós-graduação, que depois enviará o projeto à Capes.

O órgão deverá avaliar o processo em seis meses e, antes de emitir parecer, visitará a FOB-USP. Caso o curso seja recomendado, ele será credenciado no Sistema Nacional de Pós-Graduação, de imediato, com conceito 3. Somente após isso é que novos processos de seleção poderão ser realizados.