09 de julho de 2026
Geral

Uso do aqüífero Guarani vai a debate

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

De hoje a quinta-feira, especialistas debatem, em Foz do Iguaçu, o gerenciamento dos recursos hídricos nas Américas

A pesquisa sobre a situação do aqüífero Guarani, em Bauru, será apresentada no congresso IV Diálogo Interamericano de Gerenciamento de Água, que será realizado na cidade de Foz do Iguaçu, de 2 a 6 de setembro. Há dois anos, o Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE) firmou contrato com a Waterloo Hydrogeologic do Brasil para que a empresa fizesse a modelagem matemática do fluxo das águas subterrâneas do aqüífero Guarani, de onde a autarquia extrai água para abastecer 57 % da cidade, aproximadamente 315 mil pessoas.

Bauru tem hoje 30 poços tubulares em produção. Preocupado com o efeito a longo prazo dessa exploração associada ao fato de Bauru ter pouca disponibilidade de água superficial ao redor da zona urbana do município (só contando com a bacia do rio Batalha), o DAE decidiu contratar a Waterloo, para que seus técnicos pudessem conhecer e gerenciar de forma adequada os recursos hídricos subterrâneos.

A Waterloo é uma empresa líder, a nível mundial, no desenvolvimento e aplicação de modelos matemáticos, sistemas de gerenciamento e estudos hidrogeológicos. Foi fundada em 1989 em Waterloo, Ontário, Canadá e hoje tem mais de 10 mil usuários de seus pacotes de softwares em todo o mundo, possuindo filiais no Brasil (Waterloo Hydrogeologic do Brasil) e no Chile (Waterloo Hydrogeologic Latinoamérica).

Com o término do trabalho o DAE recebeu o que há de mais eficiente e moderno em termos de aplicação de modelagem matemática, associados ao Sistema Geográfico de Informação, isso permite ao departamento selecionar áreas adequadas para perfurar futuros poços tubulares, interferindo o mínimo nos poços existentes.

Segundo a engenheira, Nilcéia de Fátima Paes Lourenço, coordenadora da comissão de modelagem matemática do aqüífero Guarani na região de Bauru. Com a tecnologia é possível simular vários cenários de utilização e manejo das águas subterrâneas a partir dos dados de poços existentes e proporcionar soluções mais adequadas em relação ao sistema de captação das águas subterrâneas. Essas simulações permitem definir níveis adequados de exploração para o sistema atual, preservando o aqüífero para o futuro e sem correr o risco de perfurar poços e perdê-los por falta de água, afirmou.

Para o presidente do DAE, Sérgio Silva Macedo, esse trabalho é de extrema importância para a cidade e o meio ambiente, porque, com a certeza de que a água vai se tornar um recurso escasso, Bauru tem de se precaver para não sofrer no futuro. Quando contratou a Waterloo, o DAE assumiu a liderança em trabalhos de gerenciamento , porque, segundo dados das empresas de saneamento básico, nenhuma cidade brasileira , detém esta tecnologia.

Com a participaçäo no Congresso, o trabalho da autarquia será conhecido internacionalmente, pois o Brasil aceitou o convite formulado pela Organização dos Estados Americanos (OEA). O Gerencimento do aqüífero desenvolvido pelo DAE concorreu com mais de 170 trabalhos antes de ser selecionado para o congresso.

O evento tem como tema a Busca de Soluções desdobrado em quatro subtemas: Gestão de Águas nas Cidades, Gestão de Recursos Hídricos em regiões semi-áridas, Bacias Fronteiriças e Vulnerabilidade Climática.

De acordo com o programa do congresso também estão previstas apresentações de propostas para implementar políticas eficientes para o gerencimento dos recursos hídricos nas Américas, mesas redondas, sessões especiais e fóruns de debates.