08 de julho de 2026
Geral

Ato público lembra mortes e omissão

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Familiares das vítimas fatais das enchentes de fevereiro deste ano criticam a inércia da Administração Municipal

Um grupo de 50 pessoas, formado por familiares das vítimas fatais das enchentes de fevereiro deste ano, vereadores e por representantes de diversas entidades, participaram, ontem, na praça Chujiro Otake, de um ato ecumênico. O clima de protesto contra a Administração Municipal dominou a cerimônia, realizada com o objetivo de chamar a atenção da população para os problemas estruturais que a cidade enfrenta na época das enchentes.

Passados oito meses da forte chuva que inundou a baixada da rua Alfredo Maia, o funcionário público estadual Lucas Correia da Silva se emocionou ao retornar ao local em que sua mulher, Maria Anita Ribeiro Correia da Silva, foi tragado pelas águas do córrego Água do Sobrado e desapareceu. Até hoje o corpo de Anita não foi localizado.

Era a noite do dia 8 de fevereiro deste ano. Um pouco da gente também morreu naquele dia, disse Silva ao se dirigir aos presentes. Ele criticou as autoridades municipais, que na sua opinião ainda nada fizeram para evitar que na próxima estação das chuvas novas vítimas fatais entrem para esse triste quadro de estatísticas.

O que vemos é um jogando o problema para o outro. É a omissão. Eu tenho uma pergunta: quantas vítimas fatais serão necessárias para que alguém faça alguma coisa? Que faça alguma coisa antes das eleições. Infelizmente, o que vemos é muita inércia por parte dos políticos, desabafou.

O membro do Conselho de Direitos Humanos da OAB/Bauru, advogado Sandro Fernandes, também não poupou críticas à Administração Municipal. O Poder Público vive um sono profundo. É inadmissível que pessoas morram de maneira torpe em plena área urbana.

Ele elogiou a mobilização dos familiares das vítimas e das entidades organizadas para protestar contra o imobilismo da Prefeitura. É dessa forma que rompemos o silêncio que reinou no passado e, com isso, podermos evitar que mais pessoas possam vir a morrer no futuro, discursou o advogado.

Exercício da cidadania

O representante regional no Conselho Estadual dos Leigos e Leigas, Cláudio Zanata, reforçou a cobrança junto ao Poder Público. A questão técnica para se resolver os problemas das enchentes é fácil de ser solucionado. O que falta é vontade política. E só vamos conseguir acionar a vontade política dos governantes com o exercício da cidadania.

Os católicos também estão se organizando para pressionar a Administração Municipal a solucionar os problemas das enchentes. O presidente do Conselho Diocesano de Leigos e Leigas de Bauru, Rodney José Bastos, comentou que a entidade está colhendo assinaturas nas missas realizadas em todas a Igrejas Católicas da cidade.

Nosso objetivo com esse abaixo-assinado é mostrar o descontentamento da sociedade com o estado de abandono das vias públicas. E praticamente já estamos entrando na estação das águas e nada foi feito para melhorar a situação, criticou. Bastos acredita que o conselho conseguirá cerca de 10 mil assinaturas para o documento, das quais três mil estão colhidas. O abaixo-assinado será encaminhado ao prefeito Nilson Costa (PPS).