Viajando por algumas estradas paulistas nos últimos meses, pude perceber o quanto estamos sendo enganados pelos nossos governantes. Na Via Castelo Branco, que foi totalmente entregue aos cuidados de empreiteiras em diversos lotes, temos um número excessivo de pedágios com preços abusivos e sem uma justificativa plausível que comprove o custo da tarifa por eixo. Além dos valores extorsivos da tarifa, o consumidor é enganado na medida em que na maioria do percurso a estrada está em péssimas condições. O asfalto está remendado de forma incompatível com o lucro obtido pelas empreiteiras.
Na Rodovia Raposo Tavares, no quilômetro 135, a pista é simples, extremamente perigosa e mal conservada, como em quase toda sua extensão. Entretanto, já existe no local uma grande obra em construção, um imenso e vistoso pedágio. Além desse detalhe, chama a atenção outro fato interessante naquela rodovia. Embora já terceirizada, ela possui centenas de placas do governo estadual fazendo propaganda das melhorias que não foram e nem serão realizadas pelo governo estadual.
Afinal, se foi repassado para a iniciativa privada e terá um custo altíssimo para os contribuintes, por que fazer propaganda oficial? Essa prática abusiva de fazer marketing com o chapéu alheio, vem se tornando uma marca do atual governo, e a rodovia Raposo Tavares não é a única a receber tal distinção. Em praticamente todas as rodovias estaduais privatizadas existem placas oficiais do governo tucano enaltecendo as obras realizadas pelas empreiteiras amigas como se fossem realizadas pela atual gestão.
A rodovia Bauru - Marília, que liga dois importantes pólos comerciais e possibilita o acesso a várias cidades como Presidente Prudente, está totalmente abandonada pelo poder público. Em 1998 e neste ano, o governo estadual prometeu duplicá-la. Entretanto condicionou a obra à existência de recursos. Quando interessa ao governo eles dizem que o Estado está saneado financeiramente e tem em caixa 7 bilhões de reais, quando é para realizar uma obra tão importante os recursos precisam ser averiguados. Ou tem dinheiro e o Estado está saneado ou alguém está mentindo para a população.
Com certeza essa estrada vai ficar para as empreiteira amigas do governo e terá muitos pedágios no trecho entre Bauru e Marília. As estradas secundárias que também são importantes na ligação entre os pequenos e médios municípios, também foram incluídas nos lotes de privatização. Entretanto, recebem apenas a roçada de suas laterais, visto que não podemos chamá-las de acostamentos. Essas estradas não recebem recapeamentos asfáltico de boa qualidade, sinalização e obras de infra-estrutura viária. Talvez pelo simples fato de que as empreiteiras amigas não podem construir praças iluminadas de pedágios em trechos pequenos e sem grande movimento de veículos. Uma coisa que percebemos ao viajar à noite é que as praças de pedágio são um verdadeiro oásis de consumo de energia elétrica no País do apagão. Enquanto as ruas e avenidas das nossas cidades estão perigosamente apagadas em detrimento de nossa frágil segurança, os pedágios ostentam iluminação de primeiro mundo. Aos empreiteiros tudo e ao povo a lei. Esta tem sido a tônica de nosso cotidiano nos últimos seis anos e meio. O ditado popular pode ser alterado, mas vale também para os banqueiros, os usineiros, os empreiteiros que fazem maquiagem em seus produtos, enfim para a classe dominante, que financia todos esses governantes que nos entopem de impostos e não têm o mínimo respeito pela classe média brasileira.
(Rafael Moia Filho - RG. 6.711.407-6)