09 de julho de 2026
Geral

A intensa luta da classe média brasileira

(*) Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

A classe média brasileira está em extinção. É uma classe que teria tudo para ser emergente, com melhoria contínua das condições de vida, mas paga um enorme preço diante da política restritiva do governo. Os trabalhadores do setor privado, os profissionais liberais, os empresários de pequenas empresas e o funcionário público, entre outros, sofrem na pele os efeitos da busca da estabilidade de preços (controle da inflação) a qualquer custo.

Situam-se em uma faixa de renda que não mais se satisfaz com os serviços prestados pelo Estado (por pura falta de qualidade). Incorporam inúmeros serviços ao seu perfil de consumo e se tornam reféns desses serviços. São presas fáceis do marketing agressivo. Celulares, carros populares, condomínios, microcomputadores, comidas fora de casa, segundo carro, são exemplos do que quanto se deixam levar pelos apelos do mercado. Na prática, entram no ciclo vicioso: gasto, corro para pagar.

Diferentemente dos ricos que criam ativos para esses ativos gerarem renda, essa classe cria passivo, para correr atrás da renda capaz de honrar esse passivo. É uma luta diária, ou seja, matam um leão por dia.

Poderia ser diferente? Sim. Não podemos aceitar a forte tributação sobre a renda, pagando proporcionalmente mais que os ricos. Também falta uma maior atuação dos órgãos de defesa do consumidor evitando abusos nas prestação de serviços ou na prática de preços em setores que não há substitutos, tais como: planos de saúde, educação, energia elétrica, telefonia, juros bancários, etc. Enfim, não podemos aceitar mais que o desespero tome conta de boa parte da população e que trabalhe o dobro, correndo muito, para ficar cada vez mais, com menos. Temos que, no mínimo, parar de fazer de conta. Ou nos mobilizamos em torno de uma mudança nesse estado de coisas, ou a classe média brasileira efetivamente desaparecerá.

(*) Reinaldo Cafeo é economista, delegado do CORECON e professor na ITE.