09 de julho de 2026
Geral

Polícia investiga seqüestro de estudante

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A adolescente ficou cerca de quatro horas sob o poder de três homens. A suspeita é que ela foi seqüestrada por engano.

A estudante A.C.P., 13 anos, foi encontrada ontem à tarde na avenida Getúlio Vargas, em Bauru, depois de ficar cerca de quatro horas desaparecida. Ela contou à polícia que foi abordada por três homens que ocupavam um Monza preto. Os desconhecidos, segundo a estudante, mandaram ela entrar no carro, colocaram uma venda sob seus olhos, disseram que queriam receber uma dívida antiga e a abandonaram na avenida Getúlio Vargas, horas depois, sem, no entanto, pedir resgate.

O caso foi registrado no Plantão da Delegacia Seccional como seqüestro e cárcere privado. Pelo relato da estudante, a Polícia Civil acredita que ela tenha sido seqüestrada por engano, no lugar de uma outra adolescente que teria dívida, possivelmente de drogas, com os seqüestradores.

O delegado Ronaldo Divino, que registrou a ocorrência no Plantão Policial, explicou que o caso foi registrado como seqüestro e cárcere privado porque ela foi retirada de circulação e ficou sob o poder dos desconhecidos. A estudante disse que estava caminhando em direção à sua casa, retornando da escola, por volta das 12h10, pela rodovia Bauru/Piratinga, em frente à Granja Santa Cecília, bairro onde mora, quando parou um Monza preto com três ocupantes.

Dois dos três ocupantes do Monza, segundo a estudante, desembarcaram e mandaram que ela entrasse no veículo. A.C.P. disse ao delegado que, com medo de sofrer represália, entrou no carro, onde teve os olhos vendados. Logo que o carro entrou em movimento, os três homens, de acordo com a estudante, disseram que ela estava devendo para eles.

A adolescente, conforme relatou à Polícia Civil, questionou os três homens, afirmando que não devia nada a eles, mas eles insistiram, dizendo que a dívida era antiga. No entanto, diante da afirmativa dela, de que não devia nada a eles, os três homens teriam ficado em silêncio, sempre com o carro em movimento.

Em determinado momento, segundo A.C.P., um dos homens disse que estava passando em frente ao Hospital de Base. Em um local que a estudante não soube precisar onde, o veículo parou e os homens disseram que ela poderia ligar para quem quisesse, tirando a venda de seus olhos e colocando-a próximo a um telefone público.

A adolescente ligou para uma amiga, a quem contou que havia sido seqüestrada e que não sabia onde estava. Após o telefonema, os três desconhecidos, segundo A.C.P., a colocaram no veículo novamente e voltaram a rodar, sendo deixada na quadra 26 da avenida Getúlio Vargas já no final da tarde.

A estudante disse que, ao ser deixada pelos desconhecidos, não sabia onde estava e ligou, de um telefone público, para uma amiga avisando que havia sido libertada. A.C.P. disse à polícia que continuou caminhando e, nas proximidades do residencial Paineiras, de outro telefone público, ligou para a família e relatou o ocorrido.

A adolescente contou que quando estava ao telefone apareceu uma moça, que ofereceu ajuda e falou com sua família, contando que ela estava perto do Paineiras. Então, familiares foram ao local e, em seguida, apresentaram A.C.P. no Plantão Policial. Para tentar esclarecer o caso, o delegado refez o trajeto com a estudante, para que ela explicasse como os fatos ocorreram.

O delegado Ronaldo Divino disse que o caso será investigado, mas tudo leva a crer que A.C.P. foi seqüestrada por engano. Ela não chegou a anotar as placas do Monza e até o início da noite de ontem a polícia não tinha suspeitas sobre a identidade dos três homens.