10 de julho de 2026
Geral

Paralisação das lotéricas faz crescer movimento bancário

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A paralisação das casas lotéricas da cidade, ontem, gerou aumento do movimento nas agências de alguns bancos, como a Caixa Econômica Federal (CEF) e Nossa Caixa S/A. O fechamento das lotéricas fez parte de um protesto, em nível estadual, dos empresários do setor, que estão reivindicando aumento de comissão sobre os serviços realizados e instalação de dispositivos de segurança nas unidades. Hoje, o atendimento volta ao normal.

Algumas pessoas tiveram dificuldade para quitar seus débitos, ontem, porque existem bancos que não aceitam receber contas de pessoas que não são clientes da instituição. Na CEF, o gerente de mercado Wanglei Rodrigues Taú disse que, apesar de já ser esperado um movimento intenso por ser segunda-feira e início de mês, o fluxo de pessoas passando pelas agências do banco, ontem, esteve acima do normal. No banco Nossa Caixa S/A, o supervisor José Ambrósio dos Reis Filho disse que o movimento foi bem mais intenso que o normal para uma segunda-feira. A maioria das pessoas que passaram pelas agências da instituição fez pagamento de contas de água, luz e telefone. No Banespa e no Bradesco, as informações da assessoria de imprensa foram de demanda normal, sem registro de movimentação acima do previsto.

De acordo com informações do Sindicato das Empresas Lotéricas do Estado de São Paulo (Sincoesp), há uma discussão entre os empresários do setor de suspender as operações bancárias (como saques, depósitos, saldos, pagamento do PIS e FGTS) nas casas lotéricas de todo o Estado, de hoje até o próximo dia 13. Porém, essa definição só seria conhecida hoje, já que ontem não houve expediente no sindicato. Os donos de lotéricas querem que a CEF se posicione sobre as reivindicações da categoria o mais rápido possível. O banco alega dificuldades, no momento, pelo fato das reivindicações não serem homogêneas em todo o País.

De acordo com o diretor de comunicação do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Marcos Silvestre, na semana passada, a Comissão Consultiva de Assuntos de Segurança Privada do Banco Central (BC) se reuniu com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e com outras sete entidades para discutir a segurança dos correspondentes bancários (que inclui casas lotéricas). Segundo Silvestre, as sete entidades votaram a favor de orientar o BC a enquadrar os correspondentes nas regras de segurança que os bancos são obrigados a cumprir, conforme diz a Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983. Somente a Febraban votou contra.

O diretor do sindicato diz que a lei prevê que é vedado o funcionamento de qualquer estabelecimento financeiro em que haja guarda de valores, ou movimentação de numerário, que não possua sistema de segurança. O artigo 2.º da lei diz que esses estabelecimentos devem ter vigilantes, alarme que acione a Polícia ou empresa de vigilância, sistema de monitoração interna e artefatos que retardem a ação de criminosos (como portas de segurança e cabine blindada com a presença constante de um vigilante).

Silvestre explica que o BC não é obrigado a acatar as sugestões da Comissão Consultiva. Mas, o sindicato espera que o Banco tome uma atitude - como baixar uma portaria para o enquadramento a essas normas - para que o problema da falta de segurança nas lotéricas não se agrave ainda mais.