07 de julho de 2026
Geral

A SAÍDA É LER

João Álvares
| Tempo de leitura: 3 min

Eu não sei porque ainda me admiro. Deveria estar acostumado a encarar o fato com naturalidade. O assunto é leitura. Ou melhor: falta de leitura. Três elementos reunidos - dizia Lacordaire, filósofo francês - são capazes de fazer feliz uma pessoa: Deus, um amigo, um livro. As pessoas, neste país, não lêem, nem jornais, nem revistas, e muito menos livros. Se alguém pensa que estou exagerando, basta verificar o seguinte: um grande jornal em Tóquio, Londres ou Nova York tem uma tiragem de 10, 15 ou 20 milhões de exemplares. Se não me engano, em Tóquio, há mesmo um jornal que tira diariamente 18 milhões de exemplares. Eu disse diariamente. Pois muito bem (ou muito mal?). Em São Paulo, a tiragem de todos os jornais diários, incluindo os dos bairros não chega a três milhões diariamente. Isso para uma cidade de 14 milhões de habitantes, ou 15 milhões, se quiserem considerar a população da Grande S. Paulo. Aqui em Bauru, nossa cidade, a tiragem diária atinge aproximadamente uns 25 mil exemplares, para uma população de quase 300 mil habitantes. Falta de hábito? Sim, é evidente. Apesar da opinião contrária do nosso confrade e amigo jornalista Nadyr N. Serra, que alegou poder aquisitivo muito aquém das expectativas. Mas eu iria mais longe. É falta de cultura mesmo! O homem culto lê porque deve receber mais informação. Quanto mais, melhor. O homem inculto não sabe que para viver melhor, precisa de informações, precisa aperfeiçoar, precisa conhecer, precisa saber... À falta de cultura generalizada no País soma-se ainda o hábito da televisão; pelo amor de Deus, não sou contra televisão, vejo muita televisão, gosto de televisão. Mas é preciso atentar para um fato: nos Estados Unidos uma família média passa seis horas e 40 minutos em frente à televisão, diariamente. Isso quer dizer: vê-se muita televisão, nos Estados Unidos. Aqui não somos fortes em estatísticas, portanto não se sabe quanto tempo uma família passa na frente da televisão. Mas só observando dá para sentir que passa muito mais tempo do que devia. Com isso, lá se vai a oportunidade de ler. Se já faltava hábito, agora ficou pior; também não há tempo, já que todo ele está dedicado à televisão. Se as pessoas tivessem uma idéia de como a vida fica mais fácil, mais interessante e mais rica depois de adquirido o hábito da leitura, tudo poderia ser diferente. Mas as pessoas não param para pensar. Não incentivam seus filhos, à leitura, não se incomodam em modificar uma situação. Claro, é bem mais fácil, mais interessante deixar a criança o dia inteiro por conta da televisão - a babá eletrônica. Enquanto vê televisão não está fazendo reinações, raciocinam muitas mães. Isso é muito mais econômico e cômodo. A criança na frente da televisão está adquirindo uma falsa cultura que só lhe vai ser prejudicial mais tarde. E os livros - muitas vezes até os estudos - ficam na gaveta. É uma pena. Mesmo porque não há saída para um povo que não lê. Todos os problemas deste país, estou convicto até o da dívida externa - têm suas raízes na educação. A falta de educação, a falta de cultura, geram homens e mulheres deficientes do ponto de vista profissional, que vão transmitir a seus alunos, seus filhos, seus aprendizes, novamente a falta de cultura. Um círculo vicioso que não pára nunca. O homem inculto e despreparado é o que mais será vítima da corrupção, o que mais facilmente se deixará transformar em corruptor. Pode parecer brincadeira - ou exagero da minha parte - mas até a corrupção está intimamente ligada à falta de cultura e de educação. A saída, portanto, é ler. Não histórias em quadrinhos ou revistas de fotonovelas; ler livros. É muito mais importante do que você pode pensar. Fim de papo. E parabéns se você chegou até o final deste artigo. Que tal, agora programar a leitura de um livro? (João Álvares)