08 de julho de 2026
Geral

Literatura em discussão

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Sesc tem palestras sobre Macunaíma e O Primo Basílio.

O Sesc promove hoje mais uma edição do projeto Leitura Obrigatória, que aborda obras literárias pedidas nos principais exames vestibulares. O livro que será tema do projeto é Macunaíma, de Mário de Andrade. Na próxima terça, dia 11, outra edição do projeto abordará O Primo Basílio, de Eça de Queiroz.

As palestras têm início sempre às 19 horas e, na seqüência, serão exibidas obras audiovisuais inspiradas nas obras. Vera Lúcia Belloni Ramalho, professora de Literatura e mestranda em Educação pela USC, fará a palestra sobre Macunaíma. A professora de literatura Maria Cristina Fernandes, especialista em Realismo, falará sobre O Primo Basílio.

As atividades são realizadas no ginásio do Sesc e têm entrada franca. Nas próximas edições do projeto, em outubro, serão abordadas as obras Libertinagem, de Manuel Bandeira; Poesia Épica: Inês de Castro e O Velho do Restelo, da obra Os Lusíadas, de Luís de Camões; e Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

Macunaíma

Rapsódia escrita em 1926 e publicada em 1928, Macunaíma traz uma variedade de motivos populares que Mário de Andrade juntou de acordo com as afinidades existentes entre eles.

Trata-se de uma espécie de coquetel do folclórico e do popular do Brasil. Mário de Andrade mistura o maravilhoso e o sobre-humano ao retratar as façanhas de um herói que não apresenta rigorosos referenciais espaço-temporais Macunaíma é o representante de todas as épocas e de todos os espaços brasileiros. Macunaíma, que leva o subtítulo de herói sem nenhum caráter, é também o nome do personagem central, um herói ameríndio que trai e é traído, que é preguiçoso, indolente, mas esperto e matreiro, individualista e dúbio.

Destituído da auréola idealizada dos românticos, Macunaíma é o índio moderno, múltiplo e contraditório. Nasce na selva, filho de uma índia tapanhuma, fala tardiamente e só anda quando ouve o som do dinheiro. Vira príncipe e trai o irmão Jiguê ao brincar com as cunhadas, primeiro Sofará e depois Iriqui.

Vira homem e mata a mãe, enganado por Anhangá. Casa-se com Ci, a mãe do mato, guerreira amazona da tribo das Icamiabas. Macunaíma torna-se o Imperador do Mato Virgem. Após seis meses, tem um filho. A criança morre, transformando-se em planta do guaraná. Ci, cansada e desiludida, vira a estrela Beta da Constelação Centauro. Antes de morrer, porém, Ci deixa ao esposo a muiraquitã, uma pedra talismã que lhe daria a garantia de felicidade.

Mas o herói perde a pedra que acaba nas mãos do rico comerciante peruano Venceslau Pietro Pietra, colecionador de pedras em São Paulo. Em companhia de seus dois irmãos Maanape e Jiguê vem para São Paulo a fim de reconquistar a pedra, que simboliza seu próprio ideal. Porém, Venceslau, que está disfarçado de comerciante, é na verdade o gigante Piaimã, comedor de gente; por isso, as investidas de Macunaíma contra ele não dão resultado.

Só depois de apelar para a macumba Macunaíma consegue derrotar o gigante. Reconquistada a pedra, Macunaíma retorna ao Amazonas e se deixa atrair pela Iara, perdendo definitivamente a pedra. Como já não vê mais graça no mundo, vai para o céu, onde se transforma em estrela da Constelação Ursa Maior, ficando relegado ao brilho inútil das estrelas (fonte: vetibuol.com.br).

Serviço

Projeto Leitura Obrigatória, hoje, 19 horas, no Sesc Bauru, com palestra sobre o livro Macunaíma, de Mário de Andrade. Grátis. Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.