08 de julho de 2026
Geral

O Dia da Pátria e a Bandeira

(*) Iracy Vieira Catalano
| Tempo de leitura: 3 min

Ao compartilhar de um cerimonial cívico, em uma alongada paragem francesa, um insigne visitante, teve um estremeção repentino ao ressaltar, um grupo de garotos, cujos procedimentos pareciam indicados simplesmente para as ledices da vida pueril, a limine, levantarem-se de imediato, com extremados júbilos, sem refolharem seus sublimes sentimentos cívicos, cheios de candura, vibrantes e emotivos, para escutarem descobertos, em pé, em contemplativo recolhimento e com semblantes feéricos, o hino ao pavilhão francês. Comovido e arrebatado, assim apregoou o conspícuo visitante: Um país assim venerado e reverenciado pelas crianças, nunca se extinguirá na história da humanidade.

O culto à Bandeira é a síntese mais que eloqüente de nosso amor à Pátria em que nascemos e, prestar-lhe o preito com o nosso carinho, dileção e nosso respeito, não é apenas um dever ou uma compulsão nos ensinada nos assentos escolares, ou por nossos pais. É o mais nobre sentimento e brioso procedimento de patriotismo e orgulho de nossa terra natal. É um dever cívico que honra o cidadão que o perpetra, como uma leira sem limites.

O culto da Pátria se principia na glorificação da sua Bandeira. Devemos alçar bem alto a insígnia máxima das nossas afirmações e asseverações cívicas, olhando-a com altanaria, altivez e elação, condensando os estos do nosso coração e toda efervescência e acondicionamento de amar.

O nosso auriverde pavilhão agitou-se vitorioso pela Província Cisplatina, pelas terras da Argentina e pelas adjacências do Paraguai. Nos mastros dos navios de nossa Esquadra, não houve mar que não assistiu sua altiva e soberana presença. Após a Proclamação da República, nossa Bandeira deslizou ondeando em águas agitadas da África e da Europa, durante a Primeira Guerra Mundial e foi assentada gloriosamente nos campos e montes da Itália em absorventes batalhas com as forças nazistas, cuja excrescência de poder nosso país ajudou a acafelar.

Quando ela passa drapejando, nos lembramos que o Brasil é o caminho do futuro e que o seu passado é belo e heróico, e que dias mais gloriosos hão de vir. Nos lembramos então de Rui Barbosa, quando disse: A Pátria não é ninguém: são todos. E cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação. A Pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não desalentam, os que não emudecem, não se acovardam, mas resistem, mas se esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo.

Por tudo isso, a nossa Bandeira é a morada em que nascemos, o torrão onde buscamos adolescer a nossa maturidade cívica, o sorriso inocente e pueril das crianças, as nossas expectativas, as nossas fantasias, quimeras e figmentos. Simboliza ela, o recanto de verdes paragens, onde a relva macia adormece e viceja num porvindouro de paz e harmonia, acalorarando seu arrimo a milhões de filhos brasileiros.

(*) O autor, Iracy Vieira Catalano, é cel. do Lions Clube de Bauru Centro.