A única maneira de se evitar que os músculos se atrofiem é exercitando localizadamente cada músculo.
Atualmente, os programas de condicionamento físico para idosos estão enfatizando cada vez mais os exercícios resistidos, ou seja, a musculação. Numerosos trabalhos documentam rápida melhora em aptidão física para a vida diária, na composição corpórea e na taxa metabólica.
Recente trabalho documentou que idosos que envelheceram correndo ou nadando apresentaram o mesmo nível de hipotrofia muscular, ou seja, o atrofiamento dos músculos, de idosos sedentários, enquanto idosos que envelheceram treinando com pesos apresentaram níveis de massa muscular compatíveis com os de pessoas muito mais jovens.
Sabe-se que a hipotrofia muscular de idosos ocorre nas fibras brancas não estimuladas pelos exercícios aeróbios. Aspecto que vem sendo muito valorizado é a grande oportunidade de socialização proporcionada pelas sessões de exercícios com pesos. Isso porque os exercícios, embora individuais, são realizados em grupos, onde cada pessoa se sente companheira da outra, com um objetivo comum que é o treinamento. Os exercícios não produzem sensação de cansaço respiratório e são interrompidos para intervalos de descanso, favorecendo a interação verbal entre as pessoas.
Ainda no campo da investigação, estão sendo estudados atualmente os possíveis benefícios do treinamento com pesos em reabilitação cardíaca. A idéia não é fortalecer o coração com tal tipo de exercício, mas sim protegê-lo. Muitas vezes um coração doente pode não responder ou não suportar o treinamento aeróbio clássico. O fortalecimento dos músculos esqueléticos com exercícios resistidos suaves e gradativos diminui a solicitação cardíaca durante as atividades da vida diária, pelo mecanismo da diminuição da intensidade relativa dos esforços, com importante efeito na qualidade de vida e na profilaxia de intercorrências patológicas.
De acordo com o médico geriatra Júlio Horta Filho, há 15 ou 20 anos, o único exercício indicado para idosos era a caminhada, para não forçar. Quinze anos depois, estamos vendo que não é assim que funciona porque a partir dos 50 anos a pessoa começa a ter perda de massa muscular. O músculo vai sendo trocado por gordura. Sabemos que um idoso saudável de 80 anos tem 50% de perda da sua massa muscular e isso é muito sério, explicou.
Ele disse que a musculação é muito importante para uma boa qualidade de vida. Horta Filho se lembrou de um teste realizado com três grupos de pessoas normais, onde um grupo nadava, outro corria e o terceiro era sedentário. Após mais ou menos 20 anos, de acordo com ele, foram feitos alguns exames, entre eles a biopsia muscular, onde se constatou que o grau de atrofia muscular era praticamente semelhante nos três grupos.
A única maneira de se evitar que os músculos se atrofiem é exercitando localizadamente cada músculo. A musculação, ou exercícios resistidos, faz com que a pessoa ganhe força e possa realizar todas as tarefas diárias de rotina independente da idade.
Num outro teste realizado com idosos com mais de 80 anos, onde um grupo fazia os exercícios resistidos e o outro continuava levando a mesma vida, após seis meses, constatou-se que o grupo que trabalhou os músculos, levantava da cama melhor, tinha menos dor e se locomovia melhor. Não adianta chegar para um paciente e aconselhar a caminhada apenas. É preciso associar as duas coisas porque ele fortalece os músculos e depois pode caminhar melhor, sempre com acompanhamento de um profissional, afirmou.
Horta Filho disse que se uma pessoa ou paciente pode apenas fazer um tipo de exercício, o ideal é a musculação. Ele ressaltou que na terceira ou quarta década da vida, é indicado que esse trabalho muscular seja iniciado como cuidado. É nessa época que os músculos começam a atrofiar, sendo que o declínio maior é depois dos 50 anos, mas se a pessoa se programar e fizer os exercícios, certamente ela não vai deixar a musculatura atrofiar, disse.
Horta Filho explicou que o que segura a junta é o músculo. Pensando no joelho como exemplo, se o músculo da coxa, que é o que dá firmeza ao joelho, atrofia, ocorre uma instabilidade da junta que balança mais e, conseqüentemente, gasta mais rápido, provocando a artrose. Com o músculo saudável, a artrose demora muito mais para ocorrer, sendo importante aliar uma complementação nutricional, afirmou.
O médico lembrou ainda que, apesar de muitas pessoas acreditarem que a musculação não trabalha o coração, isso não é real, já que, apesar de ser de médio a longo prazo, os exercícios resistidos também trabalham o coração.
Outro fator importante, de acordo com Horta Filho, é a freqüência cardíaca que nos exercícios aeróbios se eleva rápido e muito, podendo causar problemas principalmente nos idosos. Já na musculação, a freqüência cardíaca nunca vai se elevar muito já que as séries são feitas com intervalos de descanso, mantendo a freqüência numa média adequada.
Horta Filho lembrou que o acompanhamento de um profissional como um professor de educação física ou um fisioterapeuta é essencial. Além de todo o benefício voltado para a saúde, melhora também a auto-estima das pessoas que passam a sentir-se melhor com os exercícios, afirmou.
Ele citou que numa chácara próxima a Bauru, há uma academia voltada especialmente para as pessoas da terceira idade. O professor Loyl é adepto à musculação e criou um espaço onde essas pessoas sentem-se bem por estar entre amigos da mesma faixa etária, disse.