A primavera está associada às flores, ao renovar, enfim, ao novo e importante momento para a natureza. É certo que a rotina nos deixa mais duros, rústicos, insensíveis e às vezes nem nos damos conta das mudanças de estação. Você deve estar achando estranho um economista falar disso. É que fazem uma imagem que economistas só sabem ser racionais, calculistas, céticos, mas isso não é verdade.
O que queremos passar nesse artigo é que nosso desejo é que possamos inaugurar neste mês de setembro a primavera na economia.
Isso se dará via retomada de confiança dos agentes econômicos. É claro que somos sabedores que isso não se dá por decreto ou somente por desejo.
Precisamos de ações concretas. Mas há um espaço enorme para avançarmos e sairmos desse marasmo da economia.
A primavera pode inspirar menor preocupação com a Argentina (temos uma blindagem de dólares para isso); pode também inspirar o Ministério do Apagão minimizando o impacto da crise energia; pode inspirar o Copom (Deus queira...) para reduzir juros e soltar a economia; pode inspirar o Congresso e o Secretário da Receita Federal a implementar a correção da tabela do imposto de renda; pode inspirar o Congresso a cassar maus políticos: pode inspirar o gestor do orçamento da União no sentido de aplicar mais no social; pode inspirar os empresários a apostar mais na economia e menos no dólar; pode inspirar o Banco Central a definir de forma incisiva a taxa de equilíbrio do câmbio.
Enfim, a economia brasileira nos últimos anos viveu de inspirações, na maioria das vezes com práticas sofríveis. Quem sabe possamos começar a permitir que esse gigante adormecido, chamado Brasil, possa efetivamente avançar e com isso deixemos em plano secundário a conjuntura de curto prazo. Ainda não é primavera, mas precisamos nos preparar para ela, em todos os sentidos.
(*) Reinaldo Cafeo é economista, delegado do Corecon e professor na ITE.