09 de julho de 2026
Geral

Automóvel Club de Bauru é tombado

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O edifício-sede do Automóvel Club de Bauru é oficialmente, desde sábado, patrimônio histórico e arquitetônico da cidade. O decreto de tombamento foi assinado pelo prefeito Nilson Costa e publicado na última edição do Diário Oficial do Município (DOM), após indicação feita pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac).

O Codepac decidiu-se pelo tombamento em razão da importância histórica e arquitetônica do edifício, construído entre os anos de 1937 e 1939 em estilo neoclássico. Com o decreto, fica proibida a demolição ou a mutilação da fachada frontal do prédio, incluindo o recuo frontal e, internamente, o hall de entrada, escadaria e vitral.

A partir do tombamento, restauros, pinturas ou reparos no edifício somente poderão ser realizados com autorização prévia do Codepac, sob pena de multa de 50% sobre o valor do dano apurado. Construções ou ampliações na vizinhança do imóvel tombado, assim como colocação de anúncios e cartazes, também poderão ser realizadas apenas após autorização do conselho.

Essas medidas visam preservar a estrutura do Automóvel Club, que está entre os clubes mais importantes de Bauru. A população tem muito carinho pelo imóvel, em razão de estar localizado próximo à praça mais antiga da cidade e por ter sido construído no estilo neoclássico, explica o arquiteto Nilson Ghirardello, presidente do Codepac.

A arquitetura neoclássica remete ao estilo greco-romano, caracterizado pela existência de colunas, construção simétrica e uso de volumes puros. No caso do Automóvel Club, essas características podem ser observadas na imponente fachada, que apresenta duas colunas simétricas em forma cilíndrica e a disposição da escada, localizada no hall de entrada.

História

A pedra fundamental do Automóvel Club de Bauru foi lançada em 6 de junho de 1937. Na ocasião, o evento foi prestigiado por políticos, comerciantes e industriais. Em 8 de abril de 1939, o prédio foi inaugurado com pompa, em festa que reuniu famílias abastadas de Bauru e autoridades.

Ser sócio do Automóvel Club era privilégio para poucos, o que garantia maior glamour ao clube, que era chamado de o palácio encantado, como conta o historiador Luciano Dias Pires, diretor do Instituto Histórico Antônio Eufrásio de Toledo, ligado à Instituição Toledo de Ensino (ITE).

O Automóvel Club era ponto de referência de grandes acontecimentos sociais. Foi lá que foi realizado o primeiro baile de debutantes de Bauru. Banquetes políticos também eram sediados no clube, que realizava os bailes de Carnaval mais concorridos da cidade e foi responsável por impulsionar o ensino e competições de xadrez na cidade, lembra Pires, que freqüentou diversas festas no local.

O clube viveu sua fase áurea entre as décadas de 40 e 50. Nesse período, cantores da famosa Rádio Nacional, como Emilinha Borba, realizaram shows no local. Recepções a secretários e ministros de Estado eram também realizadas no clube, cujos bailes a rigor eram pontos obrigatórios para paquerar.

No final da década de 50, com a crise econômica, alguns clubes sociais de Bauru passaram a ter dificuldades para garantir sua sobrevivência e fecharam. No caso do Automóvel Club, o número de sócios foi reduzindo até chegar, em 2001, a 50 sócios.

Hoje, o clube continua a realizar o famoso baile de Carnaval, que normalmente abre o calendário carnavalesco da cidade, e, esporadicamente, promove festas dançantes. O edifício também sedia, em caráter filantrópico, promoções de entidades assistenciais de Bauru.