08 de julho de 2026
Geral

Inacreditável e lamentável

(*) Muricy Domingues
| Tempo de leitura: 3 min

O mundo está chocado! Os Estados Unidos da América do Norte jamais foram atingidos em seu território em períodos de guerra, menos no ato isolado do arquipélago do Havaí (Pearl Harbour). Desde a Guerra da Independência, século XVIII, o país passou incólume por todos os fatos históricos. Na 1.ª Guerra, combateu na Europa e, na 2ª, em terras da Europa, da África e no Pacífico. Na Guerra do Golfo (Iraque) tivemos a demonstração da televisão no evento, porém as imagens mais fortes foram as do correspondente da CNN transmitindo do teto de um hotel em Bagdá. Em New York, as imagens foram mais chocantes, acompanhadas por todo o país e pelo mundo, bem-realçadas por Boris Kazoi no seu jornal televisivo. O mundo pôde avaliar a vulnerabilidade da maior nação do mundo ante o terrorismo. A maior concentração de comércio (a Ilha de Manhattan - World Trade Center) e forças armadas e a inteligência (Pentágono) estão totalmente à mercê dos atos de terrorismo. A simbologia do ataque pode ser medida se o Reino Unido tivesse o prédio do Parlamento (com o Big Ben) e a City (centro financeiro) destruídos. Seria uma forma de bater no âmago inglês, como do estadunidense, atingindo na alma e no orgulho...

O que é o terrorismo? É fanatismo? Radicalismo? Toda forma de radicalismo é prejudicial ao ser humano nos campos político, econômico e social. No campo político, tivemos os nazistas que geraram os campos de concentração e a morte de milhões de judeus e eslavos. Ainda muito será contado nos meandros da Guerra Balcânica (Bósnia, Herzegovina e Kosovo). No campo econômico, a atuação de empresas multinacionais, que são apátridas, dominam e subjugam muitos países fracos de governantes e economias. Basta sentirmos o colonialismo que a África sofreu e sofre, sem contar o neo-colonialismo que submete através dos empréstimos...

No campo social, os países com elevados índices de analfabetismo, da pobreza ao miserável, mostra bem como os países acima do Equador estão preocupados. Há várias formas de terrorismo. Há o ETA na Espanha e o IRA na Irlanda do Norte, que mostram bem onde pode chegar o terrorismo. Quem atacou os Estados Unidos? O historiador Jaime Pinsk, no canal Globo News, foi inteligente ao colocar como foi feito o ataque: 1. Planejamento muito bem feito pelo grupo terrorista; 2. Elevada fonte de recursos para financiar o planejamento e a execução; 3. Um fanatismo que leva à auto-imolação (o suicídio nos aviões). Em poucas palavras, Pinsk definiu a ação. Passamos do inacreditável ao lamentável...

Qual vai ser a resposta? Os Estados Unidos vão retaliar? Vão agir isoladamente? Bush vai consultar os governantes do Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Rússia, Japão? Qual vai ser a reação da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte)? Como vai ser a resposta ao duplo atentado? Não temos bola de cristal para saber como vamos passar esta noite (de ontem) e encontrarmos o novo dia, amanhã (hoje). No entanto, já às 19h05 (de ontem, horário de Brasília) as TVs comentavam (com base na CNN) ataques a Kabul (Afeganistão), onde está sediado o Talibã, grupo altamente radical.

Gostaríamos de lembrar que a 1ª Guerra começou com a morte do arquiduque austríaco Francisco Ferdinando (Sarajevo) e a 2ª Guerra, com a invasão da Polônia, em setembro de 1939. O ataque ao Trade e ao Pentágono seriam as causas imediatas de uma 3.ª? Para o bem da humanidade, esperemos que os responsáveis pelos países fortes não comecem uma nova escalada e gostaríamos de lembrar, aproximadamente, as palavras de Albert Einstein: sei que a .2ª Guerra terminou em explosões nucleares, mas a 3.ª Guerra terminaremos em pedradas. Até onde a barbárie ficou no passado? Os inocentes sempre pagam pelos radicais. Até quando? Gostaríamos de lembrar que nas próximas 24 horas muitos fatos podem ocorrer, mudando completamente o que escrevemos agora e o panorama histórico.

(*) Doutor em Ciências Humanas, do Departamento de Ciências Sociais da USC.