08 de julho de 2026
Geral

Maranhão - III: O tempo não passa

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

A viagem a Alcântara é feita a partir de São Luís, capital do Maranhão, por barca ou lancha. Dura cerca de uma hora e meia e vale a pena, mesmo que você enjoe no trajeto. Cheire limão, mire-se no horizonte e pé na tábua da embarcação. No trajeto você avista a imensa Baía de São Marcos e São Luís ao fundo, distante apenas 22 quilômetros da cidade-monumento.

Alcântara teve grande importância no passado. Foi berço dos senhores da aristocracia rural maranhense, sediou inúmeras fazendas, engenhos e intenso comércio de escravos. Para se ter uma idéia, no século 17 seus habitantes chegavam a 8 mil e mais da metade era constituída essencialmente por negros. Uma terra de barões poderosos por conta das exportações de açúcar e algodão e berço de grandes nomes como o jurista Clóvis Bevilacqua.

Com a ascensão de São Luís, sua antiga rival, Alcântara, entrou em decadência e seus palácios e igrejas tornaram-se ruínas hoje visitadas pelos turistas que não se cansam de caminhar pelas dez ruelas de paralelepípedos e admirar seus quase 300 prédios, três praças, mirantes, paredes de pedra e cal, janelas com cantaria portuguesa e fachadas azulejadas.

O tempo não conseguiu destruir a nobreza, a suntuosidade desse conjunto arquitetônico que, embora surrado pelo sol e pela chuva, continua harmonioso e surpreendente. Seu valioso e belíssimo patrimônio histórico, formado de casas e ruínas dos séculos XVII e XVIII, foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. E você pode conhecer tudo isso caminhando. Com tais atrativos, quem visita o Maranhão não pode partir sem visitar Alcântara. Ir ao Maranhão e não visitar Alcântara é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa.

Depois desse mergulho histórico a grande maioria parte para um banho nas águas calmas dos rios que cortam a cidade, nos seus manguezais, nas praias desertas ou até, havendo tempo, no santuário ecológico que é a Ilha do Cajual.

A maioria dos turistas parte para Alcântara logo no raiar do dia e retorna por volta das 16 horas quando a maré sobe e a barca balança muito mais. Mas quem pretende curtir ainda mais esse lugar que não perdeu a alma, onde a vida passa mansamente ao som do rádio de pilha e as casas com varanda na calçada espalham aquele cheiro especial de comida caseira pelas ruelas, pode se hospedar nas modestas pousadas que oferecem cama e banho. As diárias variam entre R$ 10 e R$ 45.

Outros atrativos do Maranhão

Além de São Luís, a cidade dos sobradões azuis grudados uns aos outros, dos Lençóis Maranhenses, um deserto recheado de lagoas azuis, e de Alcântara, a cidade-histórica, o Maranhão reserva outros atrativos ao visitante

O Maranhão é múltiplo e é puro contraste. Possui o 2º maior litoral do Brasil - são 330.000 quilômetros quadrados (muito além do que muitos Estados do Nordeste), grandes áreas de cerrado e manguezais. Está localizado na Região Nordeste e tem parte do seu território inserido na Amazônia Legal. Tem desertos e cachoeiras, cerrados e chapadas, praias e parcel.

O Maranhão é único porque abriga cidades históricas singulares como São Luís e Alcântara, riquezas ecológicas ímpares como o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses ( 155 mil hectares de altas dunas e lagoas de água doce), o Delta do Rio Parnaíba (único delta das américas) e o Parque Estadual Marinho do Parcel de Manoel Luís, manifestações folclóricas que não existem em nenhum outro lugar, como o bumba-meu-boi e o tambor de crioula.

Carolina

Toda a beleza e riqueza dos cerrados maranhenses podem ser desfrutadas em uma pequena cidade ao sul do Estado, a 850 km de São Luís que recebeu o nome em homenagem à primeira imperatriz do Brasil: Carolina. Ali a natureza foi caprichosa: esculpiu formas nas montanhas de rochas e banhou o município com rios caudalosos que formam dezenas de fantásticas cachoeiras espalhadas pelo anonimato do sertão.

A 35 km do centro da cidade, às margens da Belém-Brasília, o recanto de Pedra Caída abriga uma queda dágua com mais de 50 m cercada por imensos paredões rochosos, um verdadeiro santuário ecológico, difícil de ser retratado até em verso e prosa. A infra-estrutura é razoável. Mas, para os aventureiros, a pedida é conhecer as cachoeiras de São Romão e da Prata; o Morro das Figuras, as inscrições rupestres, entre outras belezas.

Pode-se ir a Carolina de ônibus com saída de São Luís ou de avião, através de frete. Chega-se também por Imperatriz, em vôo de companhia aérea regional e, depois, segue-se via rodoviária até Carolina. São só 200 km.

Delta do Parnaíba

Um frágil e rico ecossistema é o Delta do Rio Parnaíba, único em mar aberto de todas as Américas e um dos três do mundo. São mais de 80 ilhas e ilhotas espalhadas entre dunas, mangues e gamboas. Com 2.700 km2 de área, o Delta divide sua área entre os estados do Maranhão (65%) e Piauí (35%). O Delta é formado por cinco braços: o de Luís Correa, o das Canárias, do Caju, localizada a noroeste do Delta, no município de Araióses, é uma das três maiores e é considerada um verdadeiro santuário ecológico, refúgio de animais em extinção e centenas de aves migratórias, com uma vegetação exuberante, repleta de cajueiros e de florestas de manguezais. Além de tudo isso, a ilha possui 25 km de praias virgens, igarapés, dunas e lagoas de águas doces e cristalinas.

O acesso é marítimo, pelos municípios de Parnaíba, com aproximadamente 3h30 de viagem, e a cidade de Tutóia, a três horas de percurso.