08 de julho de 2026
Geral

Heróis da resistência

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 2 min

Índios Xavantes mostram sua cultura e fazem campanha em Bauru; etnia é a segunda maior no Brasil.

Em Bauru há quase um mês, 45 índios Xavante vêm realizando na cidade uma série de apresentações culturais em universidades, escolas e entidades. Em troca de enriquecer culturalmente quem os assiste, pedem algo que parece simples ao homem urbano, mas que tem muito valor para os índios: roupas e alimentos.

Os Xavantes vieram a convite do grupo Grito da Selva, de família Terena, de Bauru, e da Associação das Mulheres Indígenas do Centro-Oeste Paulista (Amicop).

Historicamente, os Xavantes são um dos povos indígenas brasileiros que mais resistiram ao contato com a civilização convencional - até 1946 eles eram hostis ao homem da cidade. A pacificação só veio com a expedição de Francisco Meireles, naquele ano.

O contato tardio com a civilização resultou em um encontro de gerações muito saudável antropologicamente. Numa mesma tribo, é possível encontrar índios mais novos com nascidos antes do contato com o branco, o que reforça a permanência das raízes culturais da etnia.

Ao contrário de muitos índios, os Xavantes orgulham-se muito de sua cultura, diz o universitário Marcelo Barbosa Spaolonse, estudante de Jornalismo da Unesp que pesquisa cultura indígena no Brasil. Ele está acompanhando os Xavantes durante a estadia em Bauru e esteve na redação do Jornal da Cidade com os índios Arni Kamoni Tseredi, 21 anos, e Kyuercino Wapawê, 16.

Marcelo pretende incorporar nos índios a apropriação da linguagem de vídeo, para que os povos possam se aproveitar desta forma de comunicação na transmissão de sua cultura e costumes, até então baseada, principalmente, na oralidade.

Nesses anos que venho acompanhando várias tribos, convivendo com eles, aprendi muito sobre convivência coletiva. Apesar de intrigas, que são normais, existe muita afetividade entre índios de uma mesma etnia. Posso dizer que acabei me vendo no outro.

Nas apresentações em Bauru, os Xavantes têm apresentado partes de rituais de iniciação, de caça, danças, cantos e músicas. É uma oportunidade de tomar contato com uma cultura que faz parte do nosso país e, de certa forma, com nossa própria origem, enfatiza Marcelo.

Os Xavantes estão alojados no ginásio municipal próximo à Unesp. Quem quiser fazer doações de alimentos como feijão, óleo, macarrão, café, entre outros, além de roupas e agasalhos, pode levar ao local e procurar Tito. Ou então, entrar em contato com os grupos Grito da Selva e Amicop, pelo telefone: 218-1370.