09 de julho de 2026
Geral

CSU Bela Vista suspende aula de judô

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A diretoria do CSU está cobrando uma taxa de manutenção de R$ 200,00 por mês; professores suspendem aulas.

As aulas de judô oferecidas à comunidade pelo Centro Social Urbano (CSU) do Jardim Bela Vista foram interrompidas há cerca de dez dias. A diretoria do órgão, subordinado ao Estado e que tem convênio com a Prefeitura, fechou as portas aos professores da modalidade pelo não-pagamento de uma taxa mensal de R$ 200,00, estipulada recentemente. O coordenador do curso, Paulo Fittipaldi, alega que a cobrança é indevida.

De acordo com a diretora do CSU, Mariá Jane Ribeiro Longue, o órgão é estadual e tem parceria com a Prefeitura, que cede o terreno, a mão-de-obra para reparos e manutenção, além de maquinário. Os recursos financeiros para pagamento de despesas como contas de água, luz e telefone, ficam por conta do Estado.

O CSU oferece à comunidade cursos de bijuterias, judô, ginástica, capoeira, karatê, manicure, cabeleireiro, corte e costura, pintura em tecido, artesanato, natação, musculação, dança do ventre, balé, streat, jazz, dança de salão e escolinha de futebol. As mensalidades têm valor reduzido; famílias carentes podem inscrever seus alunos gratuitamente. Segundo Mariá, o CSU oferece aos profissionais o espaço para que eles ministrem aulas, mediante um acordo verbal. Os professores não recebem salário do órgão, mas ficam com o valor das mensalidades cobradas dos alunos, que variam de R$ 10,00 a R$ 20,00. Nós oferecemos o espaço, eles fazem a propaganda, as inscrições, e recebem o dinheiro. Não existe nada por escrito, afirmou.

Fittipaldi alega que a cobrança de R$ 200,00 mensais, estipulada recentemente, é indevida. O que está acontecendo aqui é a cobrança de propina. É a primeira vez que isso acontece. Há dez anos isso funciona e nós nunca pagamos nada aqui. De repente cobram R$ 200,00. Se fosse uma contribuição a título de manutenção, coisa de R$ 50,00, a gente até entenderia, expôs.

Ele acrescenta que tem a preocupação de retomar o treinamento com as crianças, mas não pretende repassar o valor cobrado pela diretoria às mensalidades cobradas dos alunos. Eu me neguei, falei que não iria aumentar a mensalidade em nada porque eu acho que para algumas pessoas é difícil pagar. Ela fechou as portas, trancou, e falou que nós não somos mais professores aqui. Isso não pode acontecer num serviço público. Se é para atender a população carente, que se faça alguma coisa a título de manutenção, sugeriu.

O coordenador do curso, crianças que participam dos treinamentos de judô e pais de alunos reuniram-se na manhã da última quarta-feira para manifestar contra a cobrança dos R$ 200,00 mensais. É o caso de Marco Antônio Mota, pai de uma aluna do curso de judô. É uma coisa fora do padrão normal. Isso vai refletir diretamente na gente porque a mensalidade pode ser aumentada, disse.

Nós não estamos querendo que ela cobre essa taxa porque na verdade não é para ser cobrada. Isso aqui é um prédio do Estado, é um convênio com a Prefeitura e não tem porque cobrar, sendo que a Prefeitura é que faz manutenção do prédio e das instalações, acrescentou Mota.

A diretora do CSU afirma que todas as melhorias realizadas até hoje no CSU em benefício da comunidade foram feitas através de parcerias e que necessita da colaboração dos profissionais para realizar a manutenção do espaço, já que o Estado não proporcionaria recursos suficientes. Eu suspendi as aulas porque eu preciso que ele (Fittipaldi) colabore. Ele não paga luz, não paga água, não paga aluguel. Eu quero que ele colabore conosco com R$ 200,00 mensais. Nunca foi cobrado. A gente necessita de ajuda e o Estado não tem meios para que se faça construções, melhorias exorbitantes. Eu preciso que cada um colabore. O Estado fornece material de limpeza, café e paga alguns monitores. O pessoal da parte esportiva não recebe nada. Eles tiram das mensalidades dos alunos, reforça.