08 de julho de 2026
Geral

Xis e Assassin se apresentam no Sesc

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Hoje à noite você terá a chance de descobrir por que tanto se fala em rap francês por aí: o grupo Assassin, pioneiro do hip hop na terra de Baudelaire, se apresenta, às 21 horas, no palco do Sesc Bauru, ao lado do rapper paulistano Xis (foto).

Em dez anos de carreira, o Assassin ajudou a desenhar o cenário hip hop francês e a consolidar o país como o segundo maior mercado produtor e consumidor de rap do mundo - só perdendo para os EUA, o país que detém o título de criador do ritmo.

Ao lado de Mc Solaar, Iam, NTM e Busta Flex, o Assassin compõe o primeiro time do rap francês.

Antigangsta

Na França, onde o comércio de armas é proibido por lei, o rap não debandou para o gangsta, subgênero do rap norte-americano que celebra tiros, drogas e machismo. Em vez disso, o hip hop local foca seu discurso no racismo e na desigualdade social.

O discurso do Assassin casa bem com a causa de muitos grupos de rap brasileiros. Não importa quem somos ou com quem andamos. Nossa meta é dar voz àqueles que não têm espaço, diz Rockin Squat, o líder do grupo.

Sabemos de toda a situação violenta que acomete o seu país. Também sofremos com isso na França. Meu desejo é que o rap consiga ajudar a mudar esse panorama, diz Squat, fã de brasileiros como o grupo Rappa, o rapper Xis e João Gilberto.

Squat evita até mesmo dizer que idade tem, para não desviar a atenção do público do assunto que realmente interessa. A galera não precisa saber de que cor somos, que idade temos e se dirigimos carrões. O rap, cantando em francês ou em português, te abre uma oportunidade, que é a de se fazer ouvir por multidões, diz, num discurso que costuma repetir nas entrevistas que concede.

Quando estamos no palco, cantando, estamos sendo vistos e ouvidos pela galera. A mesma coisa acontece com nossos discos. Nesses momentos, temos a chance de transmitir nossos pensamentos, e é isso que importa. Se vestimos tal roupa ou saímos com tal mulher, isso é bobagem, diz.

Com quatro discos lançados, além de dois CDs de trilha sonora, o Assassin planeja agora gravar um disco ao vivo, que deve sair no começo do ano que vem.

Xis

Nascido e criado na zona leste de São Paulo, Xis gravou pela primeira vez na coletânea Consciência Black Vol.2 (Zimbabwe/1992). Logo após montou o grupo DMN e lançou Cada Vez Mais Preto (Zimbabwe/1994).

Letrista, vocalista e produtor, durante oito anos Xis participou dos eventos mais importantes da cultura hip hop do País.

Em 1999, Xis deixou o DMN e partiu para a carreira solo, abrindo a gravadora 4P Discos com o DJ KL Jay, do Racionais MCs. Pela 4P lançou seu disco de estréia, Seja Como For, com letras que falam de esperança, amor e diversão, suavizando o discurso político-social do rap, mas sem afetar a contundência inerente ao estilo. Rapidamente, a música Us Mano As Mina começou a rodar em programas de rádio, chamando a atenção do público, da mídia especializada e atraindo a gravadora Trama, que ofereceu um contrato de distribuição para o CD em 2000, ano em que a música abocanhou o prêmio de Melhor Vídeo de Rap (votação popular) no Vídeo Music Brasil.

Produzido por KL Jay, co-produzido por Xis, Seja Como For está chegando na marca das 60 mil cópias vendidas em todo Brasil.

Enquanto prepara seu novo trabalho, aproveita para fazer participações especiais, como no acústico da Cássia Eller, no ao vivo de Maurício Manieri, e no último álbum de Thaíde e Dj Hum. (Colaborou Agência Folha)

Serviço

Assassin e Xis, hoje, 21h, no Sesc; ingressos: R$8,00, R$4,00 (estudantes com comprovante e pessoas acima de 65 anos) e R$2,00 (matriculados). Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.