09 de julho de 2026
Geral

Solução seria declarar a "Guerra do Sanduíche"

(*) B. Requena
| Tempo de leitura: 3 min

A notícia, ou melhor, a ofensa, correu como um rastilho de pólvora. O nobre edil Eduardo Ávila levantou a pelota, tentou chapelar o editor do Dicionário do Houaiss, mas preferiu deixá-la para o dr. Lázaro que a entregou de bandeja para o Rufino. Este, no entanto, teve que parar com o trino do apito por parte do Zé do Skinão. Toda a torcida agora poderá opinar, mas a confusão está montada na grande área.

Vamos aos fatos. Tudo começou quando o novo Dicionário do Houaiss, ao invés de colocar uma bola no meio de campo, nos colocou uma casa de marimbondos. Em outras palavras, cometeu o acinte de informar para o Brasil e todos os países lusófonos que entre os ingredientes do sanduíche bauru vão ovo e alface. Uma ofensa à memória de Casemiro Pinto Neto! Essa não podemos engolir, assim, sem mais, nem menos!

Falem mal, mas falem de mim, eis o lugar-comum quando a questão é com o próprio indivíduo. Mas quando é o nome do Estado, cidade ou aldeia que está em jogo, a coisa pega.

Recordemos que senador acreano fez inflamado discurso protestando porque o Aurelião registrou a expressão ir para o Acre com o significado de morrer. Há muitos anos, numa de suas revistas, a Editora Abril publicou uma charge na qual um sujeito perguntava a um gaúcho: Nascestes em Pelotas? E o outro respondendo: Não, nasci inteirinho, chê. Pra quê. O chefe do clã Civita foi declarado persona non grata pela Câmara Municipal daquela cidade. Até que se redimiu com milhares de desculpas e reportagens e mais reportagens de turismo em suas revistas.

Cazuza citou Bauru em música com palavras desairosas a uma suposta garota daqui. A praga que o inditoso artista recebeu deve ter sido muito desproporcional à sua ofensa...

A Câmara Municipal de Ipauçu, há uns 10 anos, mudou por decreto o nome da cidade para Ipaussu. Um caso curiosíssimo em nossa língua, mas os defensores das melhores tradições do município vizinho não suportavam mais ver o nome da querida cidade, em quase todas as placas, transformado em uma dupla muito malfalada...

Mexer com o nome de uma cidade é fogo! É preciso ter cuidado! Ainda mais quando ele está vinculado ao de um sanduíche que está em todas as bocas. Senhores, neste momento triste e delicado, o bauruísmo claudica. Nós, bauruenses, poderíamos receber a pior das ofensas. Até mesmo a repetição daquela excomunhão sobre todos nós, decretada por um bispo de Botucatu. Mas que bauru leva ovo, isto já é demais!

Posso até imaginar, como diríamos bem à antiga, nosso grande esculápio Antonio Lázaro lendo a notícia e comentando com um auxiliar, olhos por cima dos óculos: Epa, diagnostiquei algo muito grave, aqui. Guarda as lâminas do microscópio, pendura o avental e disca para a casa do insigne Zé do Skinão, conspícuo presidente não-empossado da Idolatrada Ordem Terceira dos Cavaleiros Defensores dos Imutáveis Ingredientes do Sanduíche Bauru, entidade cuja sigla é IOTCDIISB.

Valeriani Marques não comunica tão aterrorizante fato sem antes certificar-se de que seu interlocutor esteja sentado, pois trata-se de algo descomunal, de muita gravidade. Certamente, no frigir dos ovos (não os do bauru) irão pedir ao condestável burgomestre Nilson Costa que, à semelhança da guerra do futebol, da lagosta etc., declare uma guerra em defesa do famoso lanche. De minha parte, irado, mesmo que com pé quebrado e assassinando o vernáculo, gostaria de conclamar: Bauruenses à batalha/ Em defesa do bauru/ Pois eu já vejo canalha/ A fazê-lo com chuchu! Esse chapeiro inventor/ Que produz o bauru-egg/ Nós mandaremos, doutor/ Ao diabo que o carregue.

(*) Da Academia Bauruense de Letras.