A primeira coisa que se pode dizer acerca dos ataques terroristas sofridos pelos Estados Unidos é que eles demonstraram a vulnerabilidade da América, não só como sociedade moderna, mas também inteligentemente preparada para deter esse tipo de agressão. Fontes militares oficiais como igualmente as agências civis ou fardadas agregadas ao sistema estadunidense de defesa, formularam exaustivamente, por décadas, os cenários de um ataque à nação, mas seu trabalho foi jogado por terra devido à predominância da alta tecnologia e a genialidade do Pentágono, para não falar na engenharia ética da sociedade americana.
Todo o planejamento, até aqui, tem sofrido com a presunção dos planejadores de que um ataque inimigo cairia simetricamente dentro dos planos de defesa já postos à disposição do governo ou daqueles que estavam em gestação. Alem disso, sempre especularam que um ataque viria de armas de destruição em massa, provavelmente usando a alta tecnologia e dos mesmos métodos que serviram de construção da defesa nacional. A perene discussão era de que um ataque a solo americano teria de vir através de mísseis intercontinentais, de ogivas nucleares ou de armas biológicas.
Os gênios da defesa jamais se preocuparam com pândegos aviões comerciais. A primeira lição real - que infelizmente não foi aprendida - foi recebida há 60 anos, logo em seguida ao término da II Guerra, quando um bombardeiro médio americano, perdido em meio ao nevoeiro, acabou espatifando-se de encontro ao Empire State Building, até então o maior edifício do mundo, localizado também em Nova York.
A dura realidade é que inexistem defesas tecnológicas que funcionem contra tal tipo de agressão. Além disso, os ataques perpetrados terça-feira, no mínimo, vieram demonstrar aos americanos a irrelevância de um programa nacional de defesa antimíssil. Por certo existem medidas correlatas de segurança que podem ser adotadas ou melhoradas, mas a natureza dos ataques montados a partir de elementos naturais que a sociedade utiliza, leva-nos à esdrúxula conclusão de que nada existe que possa realmente nos defender. A história do terrorismo nos séculos XIX e XX, já provou isso.
A última e profunda lição que podemos tirar de todos esses inconcebíveis episódios e o que é duro do governo aceitar - e particularmente o atual governo - é que a defesa realística contra o terrorismo dirigido reside na fórmula que os Estados Unidos devam encontrar para solucionar os conflitos ideológicos que envolvem a nação. A imediata conclusão a que se chega sobre a origem desses ataques reside na infindável escaramuça entre Israel e os palestinos. Por mais de 30 anos os Estados Unidos têm se recusado a assumir um esforço imparcial para resolver aquele conflito. Em que pese a nação americana ter se envolvido empiricamente em várias oportunidades, jamais quis adotar uma posição de negociação imparcial, perante os dois lados em conflito ou dividido com as duas facções suas agonias e mútua tragédia. Se as atuais especulações desses cruéis atentados forem verdadeiras, os Estados Unidos terão, doravante, de ser recompensados com a dura missão de intervir na tragédia do Oriente Médio.
(*)O autor, William Pfaff, é analista de política internacional do jornal Los Angeles Times, baseado na Europa.