Pessoas que sofreram ou presenciaram violência na infância têm mais tendência a se tornar violentas quando adultas
Pessoas que sofreram violência ou presenciaram cenas de violência na infância têm mais tendência a se tornarem violentas quando adultos. A afirmação é do coronel de reserva Nilson Giraldi, professor do Centro Avançado de Estudos Superiores da Polícia Militar, com base em estudos da Organização das Nações Unidas (ONU), Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e órgãos estatais norte-americanos.
Dentre esses casos, 95% ocorrem dentro dos lares. Sem saber, são as próprias famílias que preparam as pessoas para ser violentas. A solução é educar os pais para que possam educar seus filhos. Isso deve fazer parte das disciplinas escolares, defende Giraldi.
Na avaliação do coronel, implantar a cultura de paz passa pela estruturação dos lares. O Estado também tem o seu papel, mas não consegue cumpri-lo, o que exige maior atenção dos pais, afirma.
Somado ao lar desestruturado, a violência é gerada pelo sentimento de impunidade, pelo consumo de drogas, pela falta de religião e pela ausência de polícia nas ruas. Apesar do total de policiais na corporação, nem todos atuam no policiamento ostensivo fardado, que é a atividade fim. Entre um e outro, há uma redução drástica no número de policiais, comenta Giraldi.
Além disso, as pessoas contribuem para a ocorrência de ações violentas quando ostentam bens e facilitam a ação de bandidos, ao não protegerem suas residências e namorarem em lugares ermos, por exemplo. A necessidade de consumo de bens supérfluos, não de alimentos, também incentiva a violência, sustenta o coronel.
A geração de violência resultante desses fatores é observada em todas as classes sociais. A violência aparece mais na classe pobre porque esta é maioria no País, mas, proporcionalmente, a violência é maior na classe média, afirma Giraldi.
Como o problema é verificado em todas as classes sociais, a solução para a implantação de uma cultura de paz, defende o coronel, deve ser única. É preciso se investir na dignidade do ser humano e isto envolve salientar qualidades e não defeitos, propõe.
Essa receita, de acordo com o coronel, tem o amor como elemento principal, praticado por meio de três formas: a palavra, o toque e o olhar. Amar e ser amado. Sem isso, caminhamos num mundo cinzento, não há razão para existir. Sem amor, ficamos tristes, sofridos, desesperados, descreve.
Para Giraldi, o exercício do amor por meio da palavra, do gesto e do olhar pode contribuir para a implantação de uma cultura de paz. Naturalmente, não vivemos sem dinheiro, isto nos traz segurança, mas a felicidade, só conseguimos por meio do amor. Restabelecer a paz passa por acabar com colocações como a de que pobreza gera a violência - que só interessa a políticos - e pela prática do amor, defende.