09 de julho de 2026
Geral

A MAIOR INVENÇÃO DO CRIADOR

Flávio Antonio de Angelis
| Tempo de leitura: 3 min

No fundo o problema é bem mais complexo. O ser humano, talvez, não tenha sido exatamente a melhor das invenções do Criador. Ao terminar dessa forma na Folha de S.Paulo de 7 de novembro 1999, o seu artigo em que comentava os assassinatos praticados por um jovem dias antes no cinema do Morumbi Shopping, o jornalista Clovis Rossi não podia imaginar que pouco menos de dois anos depois, o mundo se estarreceria e, em proporções infinitamente ampliadas, também se perguntaria que sentido pode ser encontrado em acontecimentos como esses do dia 11 nos Estados Unidos? Não seria, mesmo, o ser humano, a maior invenção do Criador? A dúvida se justifica por extrapolar em muito o imaginável mais radical, admitir que espécie de fanatismo pode justificar ações desse tipo que o mundo assistiu através das mesmas telas, nas quais, até então, somente havia visto o que a arte cinematográfica conseguiu conceber.

Incontáveis vezes a vida já repetiu a arte, e vice-versa, mas da forma como acaba de acontecer, não. Impossível imaginar a mente humana capaz de engendrar com insuportável perfeição uma ação terrorista desse porte. Não. O homem não pode ter chegado a esse requinte de crueldade. Não pode haver ideologia política ou religiosa que justifique tamanha barbaridade.

Antes de imaginarmos como serão estes dias seguintes e de que forma o povo americano em sua quase totalidade - 94 % - espera e deseja ardentemente ser vingado, e o que isso vai representar a nível de humanidade no seu incessante e interminável anseio pela Paz, preferimos ficar na questão inicial aqui colocada, respondendo afirmativamente a pergunta.

O ser humano, ainda, é a maior invenção do Criador! Por mais que o próprio homem se desfigure cada dia mais ao longo do tempo, renunciando a toda beleza colocada em sua concepção, ao renegar valores intrínsecos à matéria prima usada na sua criação - como bondade, justiça, compreensão, amizade, solidariedade dentre tantos outros - ainda assim temos e precisamos, mais do que em qualquer outro momento da nossa vida, acreditar que o ser humano sempre será a maior obra do Criador.

Acreditar nisso é praticar atos, é revelar posturas, é adotar comportamentos que privilegiem o bom sobre o ruim, o certo diante do errado, o bem frente o mal, o moral ante o imoral, o justo sobre o injusto. Ou em outras palavras, cabe a cada um de nós provar que somos, de fato, a melhor obra do Criador. Antes, porém, dos nossos atos, posturas e comportamentos, ou a inspirá-los, o que mais temos que ter é fé. A pessoa que confia em Deus, em si própria, é positiva, cultiva a fé e se entrega a uma tarefa, a um objetivo justo, magnetiza a sua condição e atrai para si o que almeja e traz gravado no coração.

O temor é o grande inimigo aniquilador da personalidade humana e a preocupação é a mais sutil e a mais destruidora de todas as doenças humanas. O encontro do poder da fé com a força de Deus é o único caminho para superar todos os temores, todas as preocupações e nunca perder as esperanças, pois de tudo que existe no mundo, nada foi construido sem que alguém tivesse sonhado com isso, outros acreditado que isso era possível e muitos lutado para que isso acontecesse. Já que a única coisa inútil na vida é renunciar à esperança, que esse dia 11 de setembro, mais do que um dia tenebroso na história da humanidade, seja o dia do início da reconstrução de um novo homem, à altura da sua criação e do seu Criador.

(Flávio Antonio de Angelis)