08 de julho de 2026
Geral

Itapuí é exceção: praia não tem areia

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Ao contrário de outras praias da região, em Itapuí, no lugar da areia, existe um gramado em toda a sua extensão

Itapuí - É difícil imaginar uma praia que ao invés de areia possua grama em toda a sua extensão. No entanto, esse cenário existe e trata-se de um dos locais que mais atraem turistas na região. Hoje, no entanto, a prainha de Itapuí não está vivendo seus melhores dias. Durante os últimos anos, a praia não recebeu o merecido cuidado das autoridades públicas locais e agora - com o verão batendo à porta - o prefeito Silvio de Almeida Prado Rocchi tenta correr atrás do prejuízo, que não é pequeno.

Ele sabe que para deixar a prainha em perfeitas condições de uso irá precisar de muito dinheiro. Por isso, em um primeiro momento, ele pretende investir nos pontos mais sensíveis e obrigatórios que são a higiene e a limpeza do local.

Silvio Rocchi quer que pelo menos os banheiros e o gramado estejam em condições de receber os visitantes. Os demais aspectos, segundo ele, podem esperar; assim como ele está esperando ajuda financeira da Secretaria Estadual do Turismo para revitalizar a praia.

Sem saber se poderá contar ou não com essa ajuda ainda para este ano, Rocchi não vê outra saída senão tocar nos pontos emergenciais da praia com os poucos recursos do município. Ele acredita que entre outubro e novembro a praia já esteja numa situação melhor do que a de hoje.

Pelo jeito, vou precisar usar recursos do município (para fazer as reformas mais emergenciais). Acho que o dinheiro (da Secretaria do Turismo) não sai este ano, declarou o prefeito, desanimado com a morosidade oficial.

O prefeito reclama dos tímidos investimentos que foram feitos na praia pelas administrações anteriores. Segundo ele, é muito mais fácil manter os investimentos num patamar médio e constante do que ter de recuperar a praia depois de um período de abandono.

Essa recuperação acaba tornando-se mais demorada e cara, em sua opinião.

O grande problema da praia é que ela ficou muito tempo parada. Quase 90% de tudo que tem lá, veio da minha administração, acredita. Silvio Rocchi foi prefeito de Itapuí em outras duas oportunidades: de 1973 a 1976 e entre 1983 e 1988.

Mesmo sabendo das dificuldades que irá enfrentar, Rocchi garante que vai recuperar a praia. Feito o serviço, ele já planeja trazer de volta os milhares de turistas que visitavam a cidade todos os fins de semana, na época do verão.

Rocchi quer retomar a realização de shows e de competições esportivas, que na década de 80 agitaram não só a praia mas toda a cidade.

Estância

Outra maneira de conseguir auxílio do Governo do Estado é alcançar a classificação de estância turística. Mas o máximo que a cidade conseguiu até agora foi o título de cidade com potencial turístico; o que, em termos práticos, não significa nada para o município.

As cidades classificadas como estância turística recebem mensalmente uma subvenção do governo.

Aguapé

Outro problema que tem incomodado o prefeito de Itapuí é a presença de aguapé nas margens do rio, em especial no espaço normalmente usado pelos banhistas.

Rocchi diz que está estudando uma forma de evitar que essas plantas cheguem até a praia. As táticas usadas atualmente não têm resolvido o problema por muito tempo. Rocchi conta que pede aos funcionários que empurrem os aguapés em direção à correnteza do rio, mas em pouco tempo, as plantas voltam, vindas de outras partes.

Além de incomodar os banhistas, a planta solta uma substância esverdeada que, embora não seja prejudicial, assusta os visitantes e os afastam da praia.

Taxa

Depois que a praia estiver novamente em condições de oferecer todo o conforto aos seus visitantes, a Prefeitura estuda uma forma de cobrar uma taxa pelo estacionamento, como faz hoje Arealva.

Mas ao contrário do que acontece em Arealva, em Itapuí o acesso à praia se dá por vários pontos, o que, em tese, dificultaria a cobrança do pedágio. Esse expediente já foi utilizado por outras administrações, mas não teve os resultados esperados e foi descartado.

Reforma ideal

Entre as obras que a Prefeitura planeja executar para recuperar totalmente a prainha estão, além da reforma dos banheiros e da limpeza geral, a restauração das churrasqueiras, das muretas de contenção das águas (que evitam a destruição das margens da praia), a construção de uma barreira que evite a aproximação de aguapés onde estão os banhistas, a padronização dos bares existentes no local e a recuperação do restaurante, que pertence ao município e encontra-se completamente destruído.

Rocchi quer também reformar a área de camping para oferecer melhores condições para que os turistas montem suas barracas. A área tem aproximadamente 30 mil metros quadrados, segundo cálculo do prefeito, e conta com energia elétrica e banheiro para os acampados.

O prefeito está disposto ainda a refazer todas as cabaninhas que existem ao longo da praia. Antes, elas eram de sapé. Hoje, são de cimento. O material foi mudado depois que algumas cabanas foram incendiadas por jovens delinquentes. Mesmo assim, Silvio Rocchi quer transformá-las novamente em cabanas de sapé.

Para realizar todas essas mudanças, o prefeito fez os cálculos e chegou a algo próximo de R$ 149 mil. Como a Prefeitura não tem hoje esse dinheiro, o município recorreu à Secretaria Estadual do Turismo. O pedido, segundo o prefeito, teria sido analisado pelo governo e a liberação desse dinheiro teria virado uma questão de tempo.