11 de julho de 2026
Geral

Momento é de cautela para investir, dizem economistas

Patrícia Zamboni (*)
| Tempo de leitura: 4 min

Esperar a definição do cenário econômico para decidir o que fazer com aplicações em Bolsa de Valores é a orientação mais fornecida por economistas consultados pelo Jornal da Cidade. Com a Bolsa de Valores de Nova York voltando a operar ontem, após ter permanecido fechada desde a última terça-feira, o mercado de ações brasileiro vive uma fase de expectativa. Muitas coisas ainda vão depender das reações dos Estados Unidos aos ataques terroristas do dia 11, em Nova York e Washington. Priorizar a liquidez e a segurança nos investimentos, abrindo mão da rentabilidade imediata, é outra dica de um economista consultado pelo JC, que avalia o cenário atual.

O economista Said Yusuf Abu Lawi diz que, no momento, ninguém deve se precipitar em recorrer a nenhum tipo de investimento, principalmente, ações. Após os atentados terroristas nos Estados Unidos, houve mudanças bruscas de paradigmas, o que resulta num cenário de cautela para os investidores durante, pelo menos, os próximos dias. Lawi avalia que não levará muito tempo para que a situação volte ao normal e as Bolsas voltem a operar positivamente.

O ideal, neste momento, é aguardar para decidir o rumo dos investimentos financeiros. Não acredito que a situação vá piorar, com quedas ainda maiores nas cotações das Bolsas. Porém, o momento não é bom, por exemplo, para vender ações, porque o mercado está em baixa. Mas, por ora, o cenário está muito instável, porque muitas coisas ainda vão depender das reações práticas dos Estados Unidos em relação à retaliação aos envolvidos nos atentados, analisa Lawi, sobre o que ele chama de cenário imediato.

Em relação às reações futuras das Bolsas, o economista diz que boa parcela das Bolsas de Valores são movidas pelo petróleo, inclusive as brasileiras. Então, isso também vai depender da retaliação dos Estados Unidos a países do Oriente Médio, analisa.

Liquidez e segurança

O economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, concorda com o colega na avaliação de que o momento é de cautela. Segundo ele, a melhor análise sobre decisões financeiras é observar as características de rentabilidade, liquidez e segurança. Em épocas de cenários mais calmos e consistentes que o atual, os investidores podem arriscar mais. Ou seja, o foco vai para a rentabilidade, abrindo mão da segurança e da liquidez com o objetivo de buscar um prêmio maior para o dinheiro investido. Porém, diante do quadro atual, a dica do economista é priorizar a liquidez e a segurança, o que possibilita ao investidor mudar de posição de acordo com as oscilações do mercado. O momento seria bom, por exemplo, para comprar ações, já que os valores de alguns papéis estão bastante atrativos por estarem em baixa.

Para investidores que já possuem algum conhecimento do mercado de ações, com essas quedas bastante expressivas poderia comprar algumas ações que estão com preços muito interessantes. Porém, nesse caso deve ser um investimento com retorno vislumbrado para daqui a dois anos e feito sempre sob a orientação de especialistas para definir quais as melhores ações para apostar. O brasileiro, de uma maneira geral, não tem cultura de aplicações a longo prazo. Além disso, os pequenos investidores preferem a segurança do que a rentabilidade. Para quem tem possibilidade de investir acima de R$ 15 mil, a melhor remuneração será alcançada através do fundo chamado D.I., por ser o que capta com mais facilidade as oscilações das taxas de juros do dia-a-dia. Porém, deve verificar a taxa que está sendo cobrada pela empresa administradora e se está isentando a CPMF, orienta.

Outra opção de pós-fixado de renda fixa é o CDB, para o qual o economista indica o de 60 dias. Para quem tem pequenos valores a investir, como R$ 1 mil, não há como fugir da caderneta de poupança, que vem rendendo cerca de 0,7%.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, disse, ontem, que a tragédia nos Estados Unidos é um choque temporário na economia e que os números da abertura do mercado, ontem, revelam uma situação de calma. Para Figueiredo, as pequenas quedas do índice Dow Jones (que encerrou com desvalorização de 7,04%) e da Nasdaq na abertura dos mercados são um bom sinal. Segundo ele, ainda é muito cedo para prever qual será o impacto da tragédia, ou de uma possível guerra, na economia mundial.

Ontem, na Bolsa de Nova York, os papéis de empresas aéreas despencaram, assim como os de várias seguradoras e empresas financeiras. Já as ações das empresas de defesa subiram. No Brasil, a Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de mais de 3%.

(*) Colaboraram AE e AF.