10 de julho de 2026
Geral

Estela: "O PT vai abrir suas portas"

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Lideranças petistas que conquistaram o controle do partido em Bauru preparam uma lista de novas filiações.

A recondução de Estela Almagro ao comando do diretório municipal do PT vai possibilitar a abertura do partido à sociedade. Com esse discurso, ela promete anunciar nos próximos dias uma lista de novos filiados, alguns representando o empresariado da cidade. Os nomes vão surpreender, garante. A petista diz que, nesse momento, não haverá surpresas no âmbito de filiações políticas.

Vamos crescer e mostrar para a sociedade que o PT está maduro, com os pés no chão e com visões diferentes a serem transmitidas para a sociedade, diz, na primeira entrevista concedida após a eleição do último domingo.

A petista explica que as propostas políticas, econômicas e sociais do partido praticamente não foram alteradas. As propostas são as de sempre, mas serão passadas de uma forma diferente para a sociedade. A dirigente está confiante que seu grupo político também vencerá as eleições no âmbito estadual e nacional.

Isso corresponde a uma expectativa de que no ano que vem nós deveremos conseguir, efetivamente, ganhar as eleições para o Governo do Estado e para a Presidência da República. É esse o PT que o povo está buscando. O povo quer votar no PT, mas ele quer um PT maduro e diferente.

Para Estela, o maior desafio agora é construir esse PT que a sociedade está esperando. A petista diz que o processo de abertura do partido à sociedade começou na eleição municipal do ano passado. Vamos colher esses frutos agora. Na eleição passada, alguns grupos se aproximaram da gente e conheceram uma face diferente do PT. Agora, essas pessoas poderão se filiar ao partido, garantida essa visão razoável para a sociedade desse partido que estamos pregando.

Preparado para governar

O vereador José Carlos Batata (PT), que pertence a mesma ala política de Estela, reforça o discurso da presidente reeleita. Essas eleições do PT, de um modo geral, mostram que o PT está maduro e preparado para governar São Paulo e o Brasil. Esse é um retrato fiel que tiramos desse processo eleitoral, discursa.

O parlamentar lembra que o PT de Bauru sempre teve problemas de ordem interna, em função das disputas pelo controle do partido. No entanto, a depuração ao longo desses anos das suas próprias lideranças fez com que o PT fosse para esse processo eleitoral extremamente consciente da sua responsabilidade de, se possível, governar o Brasil e governar São Paulo.

Batata espera que o partido cumpra o que foi defendido nas teses que vão delinear o perfil da legenda. A nossa tese, aprovada, defende uma reformulação social, admite as políticas compensatórias e uma série de fatos que vem de encontro ao que a sociedade almeja. Consagramos um PT mais aberto, um PT plural e que respeite as diferenças não só dos seus militantes internos mas também dos partidos que compõem a comunidade. Enfim, é o PT que dialoga com as diferentes classes sociais.

O petista afirma que o partido está aberto a todas as pessoas que queiram conhecer a legenda e desejam ingressar no seu quadro. Desde que essa pessoa tenha um passado que corresponda as suas ideologias e sem manchas de corrupção. Isso nós não admitimos no PT. É uma das grandes bandeiras do partido.

Resultados pífios

O sindicalista Roque Ferreira, que concorreu à presidência do diretório municipal do PT, critica o processo eleitoral adotado pelo partido para eleger seus dirigentes. Para ele, o programa de eleição direta da legenda atingiu resultados pífios em caráter nacional.

Segundo o petista, a direção nacional do PT trabalhou com a perspectiva de que 400 mil filiados compareceriam às urnas. Não se chegou a 200 mil. Em Belo Horizonte não houve quórum. A leitura é que os filiados formais do PT não atenderam aos apelos da direção para votar.

Ferreira também inclui Bauru na sua avaliação. O sindicalista lembra que o Município abriga, aproximadamente, 1,5 mil filiados. Participaram 318 do processo eleitoral. O petista diz que o processo eleitoral apresentou irregularidades. Nós tomamos a seguinte decisão: nós não vamos fazer nenhuma discussão sobre as irregularidades do processo para que isso não repercuta na imprensa como uma discussão maniqueista.

Ele avalia que o PT de hoje não é mais o partido que a classe trabalhadora construiu ao longo dos últimos 21 anos. O PT de hoje adota o campo majoritário, que é liderado pelo José Dirceu, que coloca o partido numa política de centro, capitulando frente aos ataques da classe trabalhadora.

Para o petista, a eleição direta foi uma forma de aniquilar as outras alas políticas do partido. Com a arrogância e a prepotência que o grupo lulista tem, eles chegaram a seguinte conclusão: a gente cria esse negócio de eleição direta, colocamos a nosso serviço o aparelho partidário, a máquina partidária, os aparelhos de gabinete, a maioria dos deputados e, nas eleições, as outras forças políticas vão ficar excluídas.