08 de julho de 2026
Geral

Acordo pode encerrar greve de médicos

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O deputado estadual Milton Flávio anunciou ontem um acordo que pode pôr fim à greve dos médicos residentes.

Botucatu - A greve dos médicos residentes que se arrasta desde o dia 23 de agosto pode estar próxima de ser encerrada. A expectativa é do deputado estadual Milton Flávio (PSDB), que desde o início do movimento vem intermediando a negociação dos grevistas com o Governo do Estado.

Há quase 15 dias, o parlamentar tucano levou o comando do movimento para participar de uma audiência com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, da qual também participou o secretário de Estado da Saúde, José da Silva Guedes. Na ocasião, o governador propôs a concessão de um aumento parcial este ano e a complementação no ano que vem, comprometendo-se a realizar a equiparação do valor da bolsa dos médicos residentes paulistas com o valor a ser pago pelo Governo Federal. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, apresentou a proposta de aumento de 23% para os federais, a ser incorporado no próximo ano, relembra Milton Flávio.

Na noite da última quinta-feira, dia 13, quando o deputado desembarcava no em São Paulo, recém-chegado de uma reunião da União Parlamentar do Mercosul, realizada em Curitiba, um grupo de residentes o esperava no saguão do aeroporto de Congonhas. Preocupados em colocar fim ao movimento de greve, solicitaram que Milton Flávio obtivesse um documento que pudesse tranquilizá-los com relação a solicitação de aumento de bolsa que haviam apresentado. Eles precisavam de uma confirmação já que na área federal alguns compromissos assumidos acabaram não se concretizando, afirma o deputado.

O governador analisou a situação e na tarde da última sexta-feira manteve contato telefônico com Milton Flávio, se comprometendo a conceder um reajuste no valor da bolsa da ordem de R$ 100,00 já partir de setembro. Informei isso Dr. José da Silva Guedes, justamente no momento em que estava reunido com os residentes na Secretaria da Saúde e ele se comprometeu a formular o documento. Já no mês de outubro, os residente estarão recebendo o pagamento com o novo valor da bolsa, afirma Milton Flávio.

De acordo com o deputado, os residentes foram muito compreensivos, entendo as dificuldades do Governo do Estado. O governador disse que se o Governo Federal ajudasse poderia pagar o aumento integralmente neste ano. Mas como estamos em meados de setembro e o Orçamento encontra-se em execução, não haveria folga concessão do aumento integral. Mas a equiparação com o Governo Federal está garantida para 2002. Espero que com isso, a greve chegue ao fim, concluiu.

Na região

A greve dos médicos residentes atingiu hospitais de Marília e Botucatu. Em Marília, o movimento já foi encerrado, segundo a assessoria de imprensa da Faculdade de Medicina de Marília (Famema). Já em Em Botucatu, a greve continua. Os residentes deixaram de atender grande parte dos serviços ambulatoriais e suspenderam atividades cirúrgicas. Os residentes organizaram-se de forma a manter os serviços essenciais, que devem ser mantidas por lei.

Reivindicações

A principal reivindicação dos médicos residentes é um reajuste salarial de 75%, referente aos últimos sete anos em que não houve aumento. Além disso, eles pedem o cumprimento de vários direitos adquiridos, previstos no programa de residência (e no estatuto da Comissão Nacional de Residência Médica) e que não são cumpridos, segundo os grevistas.

Em Botucatu, os residentes já contam com dois itens da pauta de reivindicações. Uma delas é o acompanhamento de professores e a a outra e o auxílio moradia.

Outra reivindicação dos residentes é o respeito da carga horária determinada em 60 horas semanais. Atualmente, os residentes de Botucatu, segundo o presidente da Associação dos Médicos Residentes, Marcos Ferreira Minicucci chegam a ultrapassar 80 horas. Eles também exigem o direito de folga após o plantão. Chegamos a ficar 36 horas direto quando o plantão emenda no dia normal, afirma o presidente da associação.

O movimento dos residentes abrange várias cidades e instituições do Estado de São Paulo, além dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Bahia.