Primeiro gostaria de cumprimentar o Jornal da Cidade pelo espaço que tem dado na seção cartas para opiniões sobre os ataques aos EUA. Com isto, o leitor está podendo claramente analisar a posição das várias correntes de pensamentos existentes na sociedade. E gostaria de aproveitar e entrar um pouco neste debate não só pelo fato de exprimir meus sentimentos como cidadão, mas também por ser descendente de árabes e assistir todos dias o noticiário sobre as chacinas ocorridas naquela região (Oriente Médio). Ao ler o JC de 16/09/01(seção de cartas), resolvi colocar o meu ponto de vista sobre algumas cartas enviadas pelos leitores:
1) A senhora Lúcia Helena de Souza Francisco justifica como sendo horroroso quando um estado organizado comete um ataque, pois entende que existem mecanismos punitivos ao mesmo. Mas ela se esqueceu de dizer qual seria este mecanismo, que não puniu ninguém nas barbáries de Hiroshima, Vietnã, Shabra e Shatila, etc, verdadeiros massacres à população civil, dona Lúcia! Massacres estes cometidos pelo mais sórdido do terrorismo, o Terrorismo de Estado, que mata, estupra, destrói civilizações e culturas, sempre em nome da defesa de algo que nunca conseguimos enxergar, a não ser nos mais sórdidos interesses de grupos financeiros. Quem deveria julgar estes crimes? O figurativo conselho de segurança da ONU, que só aprova algo se tiver o voto do todo poderoso EUA?
2) Ao sr. Pedro Romoaldo e ao sr. Ricardo Sowders, gostaria de falar que não sou tucano nem mesmo eleitor do deputado Pedro Tobias, portanto, estou tranqüilo para expressar que acho os dois primeiramente citados, com desconhecimento de causa sobre a questão do Oriente Médio. Isto porque, acredito eu, não usariam de um momento tão sério como este, simplesmente para aflorar uma briga eleitoral local, ou seja, qualquer um entende que o deputado Pedro Tobias ao falar sobre a atuação do Hammas, simplesmente constatou um fato, pois este grupo, o Hezbolah e outros são, de fato, o braço armado da libertação do povo palestino. Certamente se o mundo defendesse a tempo a criação de um estado Palestino, que hoje não existe por imposição de Israel sob a tutela dos EUA, esses grupos seriam o exército da pátria Palestina. Por sinal, eles o são hoje, na prática, e seus integrantes só usam seu corpo para estourar bombas em seu inimigo porque não têm armas e aviões sofisticados para bombardear como o faz o estado de Israel, principalmente em alvos civis. Isto não é terrorismo, é guerra!
Enfim, foi deplorável e odioso o que aconteceu nos EUA, e isso sim foi uma atitude terrorista feita pelo Taleban, grupo que vive marginal da causa árabe, que faz um ato deste no momento em que a autoridade Palestina reabre negociação com Israel. E quem comanda o Taleban? O sr. Bin Laden, velho amigo do povo americano, que tempos atrás o financiava e o apresentava ao mundo como o herói da resistência do Afeganistão contra o governo comunista daquele país. Dá até vontade de dizer, quem pariu Mateus que o embale, mas não somos daqueles que fazem a política de avestruz. Devemos lutar para efetivamente construirmos a paz no mundo. E só há um jeito de conseguirmos isto: exigir dos EUA que mudem a política econômica do terceiro mundo para acabar com a miséria, que termine definitivamente com o projeto guerra nas estrelas, reativado pelo sr. Bush, que delimite e reconheça o estado Palestino, que para o bem do meio ambiente assine o tratado de Quioto, e que mude, também, outras coisas que este cidadão, o sr. Bush, fez logo após ter sido eleito presidente dos EUA, diga-se de passagem numa eleição duvidosa. O mundo não agüenta mais o terror de Bush, Sharon, Bin Laden e todos que fazem coro a estes senhores. DEUS SALVE O MUNDO. (Antonio César Simão - RG: 8.174.215)