Há quatro anos na profissão, o frentista bauruense Maurício José Sanches não esconde de que gosta da sua atividade.
A exemplo de outros companheiros do ramo, Maurício é um faz tudo. Abastece, dá uma força na limpeza dos carros e faz cobranças para o posto onde atua. Tudo no maior capricho para agradar os fregueses e aumentar a clientela do estabelecimento.
Mas, nem tudo é um mar de rosas. Trabalhando de segunda à sábado, às vezes Maurício e seus colegas são obrigados a ter jogo de cintura para encarar determinadas situações do dia-a-dia de um posto de combustível.
Algumas vezes, clientes confundem cortesias oferecidas pelos frentistas como obrigações. Ele exemplifica. Quanto mais fazemos para o freguês, mais ele cobra. Abastecemos para um cliente hoje e oferecemos a calibragem dos pneus. Após termos feito isso, esse mesmo freguês chega para abastecer novamente em outro dia e pede para bater o tapete do carro, diz ele. E acrescenta, lembrando-se de um episódio ocorrido com ele: Certa vez estava ajudando na limpeza de um veículo. Já tinha acabado e havia uma fila de carros esperando para serem limpos, quando o dono do carro que eu já tinha terminado a lavagem se aproximou e ainda pediu para eu caprichar.
Apesar de inúmeros clientes possuírem esse perfil, Maurício conta que há os sossegados. Existem aqueles que o que você fizer está bom, complementa o frentista.
Mas as dificuldades, inerentes a toda atividade profissional, não desanimam o frentista. Gosto de trabalhar no ramo e tenho facilidade para lidar com pessoas, destaca ele.
Carro e moto
Proprietário de um Fusca 78 e de uma moto CG, Maurício utiliza a motocicleta para se deslocar até o posto, deixando o Volkswagen para sua mulher, que trabalha como servente.
Além disso, o Fusca, que o frentista ressalta nunca o ter deixado a pé, também encara viagens. Viajo normalmente com ele. É um carro que não tem preguiça(sic), pois nos leva onde queremos, enfatiza Maurício.
Motorista experiente, o frentista prefere dirigir nas ruas de São Paulo às bauruenses. Ele explica os motivos: Já guiei na capital do Estado e prefiro mil vezes dirigir lá do que em Bauru. Apesar de ter um trânsito mais complicado, os motoristas são mais educados e respeitam as sinalizações. Em Bauru, além de termos de desviar dos buracos, valetas e remendos do asfalto, os condutores não respeitam nem um sinal de seta de direção, conclui ele.
Perfil
NomeMaurício José Sanches
Idade33 anos
Estado civilCasado, dois filhos
ProfissãoFrentista
HobbyChurrasco e piscina
Quem você não colocaria como passageiro do seu carro?O Fernando Henrique Cardoso, porque eu era funcionário de uma estatal (Rede Ferroviária) e, após ele determinar a privatização, fui mandado embora.
Quem você colocaria como passageiro do seu carro?Minha esposa Diva.
Quem você colocaria no porta-malas do seu carro?O Ossama Bin Laden. Só não pode contar para os americanos, senão eles bombardeiam meu carro.
O que mais lhe irrita no trânsito?A falta de respeito dos carros para com os motociclistas.
Que nota você daria aos motoristas bauruenses?Três.