09 de julho de 2026
Geral

Psicólogo tem novas áreas de atuação

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

O psicólogo organizacional do trabalho, mais conhecido na prática como psicólogo de recursos humanos é sempre visto pelas pessoas com o profissional responsável por fazer seleções, testes admissionais, avaliações e treinamentos. Mas além dessas funções, já tradicionais, a cada dia surgem novos campos de atuação nessa área, não só dentro das empresas mas também em instituições e órgãos públicos.

As novas formas de atuação do psicólogo dentro das empresas foram o tema de um livro organizado pelos professores do curso de Psicologia da Unesp - Bauru, Luiz Carlos Canêo, Edward Goulart Junior e Maria Cristina Frollini Lunardelli. Primeiros Passos Rumo à Práticas Emergentes - Relatos de Experiências de Estágio, editado pela Unesp, é uma coletânea de artigos escritos por alunos do 5º ano do Curso de Psicologia da Unesp - Bauru que fizeram estágios obrigatórios na área de Psicologia Organizacional e do Trabalho (leia mais sobre a obra no boxe). Escolhemos o tema do livro porque é uma tendência atual dentro da psicologia organizacional, diz Luiz Carlos Canêo. Para o professor, existe uma grande revisão de paradigmas dentro da Psicologia atualmente e a posição do psicólogo organizacional também tem passado por uma avaliação. A conclusão é que a função desse profissional é muito mais ampla do que simplesmente selecionar e treinar, diz. O psicólogo organizacional pode auxiliar muito o trabalhador e a empresa em questões de saúde física e mental, em preparação para a aposentadoria, em programas de integração, diz.

Maria Cristina Lunardelli, completa, citando que, atualmente, também existem psicólogos trabalhando com temas como reflexão sobre a aposentadoria, melhoria de qualidade de vida do trabalhador e prevenção de saúde pública, entre outros assuntos que, até há algum tempo, não existiam ou não eram explorados a fundo e que são todos considerados práticas emergentes dentro da psicologia organizacional.

A prática tida como emergente hoje está mais voltada para a área da saúde mental do trabalhador, onde estão desenvolvendo muitas pesquisas para saber o quanto o ambiente de trabalho contribui ou não para o surgimento de doenças ocupacionais. Tudo para que se possa pensar em prevenção, afirma.

Como o espaço do psicólogo organizacional é muito maior do que até então a gente estava sendo ocupado, a ênfase na nossa formação na universidade é para fazer com que cada vez mais esse espaço aumente. O que demonstra o livro é que esse espaço não é utópico, pois existem empresas aceitando essas práticas como mostram os artigos. Uma nova compreensão do papel do psicólogo está emergindo, afirma Canêo.

Diversas frentes

O psicólogo organizacional também está ocupando novos espaços na gestão de desenvolvimento de pessoas (ou recursos humanos) dentro das empresas, segundo Maria Cristina Frollini Lunardelli. Ele está ocupando cargos chave, onde tem mais autonomia dentro da organização. Temos vários profissionais auxiliando e influenciando as políticas voltadas para a área de recursos humanos dentro das empresas, diz.

Isso não quer dizer que a partir de agora as práticas tradicionais perdem o seu valor, lembra o professor Edward Goulart Junior. Elas devem permanecer e o psicólogo é o profissional mais qualificado para exercê-las. Mas elas não são únicas e as práticas emergentes vêm para ampliar a atuação do profissional. O psicólogo deve atuar em diversas frentes, completa.

O livro

É a terceira vez que os artigos dos alunos do 5º ano do Curso de Psicologia da Unesp - Bauru são publicados em forma de livro. Os textos são resultado de algumas experiências vividas durante o período em que os alunos estiveram trabalhando em instituições e empresas da cidade e da região. É importante lembrar que não foi só isso que os alunos fizeram durante o estágio, os artigos falam só de uma parte do que eles experimentaram, diz Luiz Carlos Canêo. Segundo o professor, os alunos passam a escrever artigos quando começam a estagiar na área de Psicologia Organizacional e do Trabalho, no final do ano, os coordenadores do futuro livro escolhem os melhores artigos avaliando sua qualidade e seu caráter diferenciado. Alguns alunos têm até mais que um artigo escolhido.

A idéia dos artigos surgiu há três anos com o objetivo de desenvolver no aluno a capacidade de relatar suas experiências, aprendendo como sistematizar o seu conhecimento prático e como desenvolver seu raciocínio de modo que suas experiências pudessem ser socializadas, compartilhadas com outras pessoas.

Somando os três livros (o primeiro foi editado em 1999), 66 artigos de alunos do curso de Psicologia foram publicados. Cada ano o tema abordado foi diferente. A intenção dos coordenadores do projeto é continuar pedindo os artigos para os alunos e, com o apoio da iniciativa privada e da universidade, continuar publicando o livro. O aluno quando adquire um conhecimento na prática e escreve sobre isso, gera um conhecimento teórico, se torna um reprodutor do conhecimento. O aluno assume um papel ativo, não fica com um papel subserviente porque ele produz, ele é um autor. Isso é muito positivo para ele, afirma Canêo. Outra vantagem para os alunos, segundo a professora Maria Cristina Lunardelli é que eles já saem da faculdade com artigos publicados. É um bom começo, define.