O terror nos Estados Unidos em dois tempos no desenho de Giovana Piacente Felippe, de 8 anos. Aviões atacam os prédios do World Trade Center enquanto crianças e a bandeira americana derramam lágrimas de tristeza.
Influência da mídia
Na opinião de Luiz Fernando da Silva, professor das disciplinas de Introdução às Ciências Sociais e Cultura Brasileira na Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação (Faac) da Unesp - Bauru, a maneira exaustiva com que os atentados foram apresentados pela mídia impressa e televisada nos últimos dias ajudaram a criar (e, para algumas pessoas, aumentar) as preocupações sobre o que pode acontecer no futuro, principalmente no que diz respeito a uma possível guerra. Ele acredita também que o fato da maioria das informações chegarem ao Brasil através da CNN (uma rede americana) pode fazer com que se tenha uma visão parcial dos fatos. A mídia no Brasil tem passado as informações com o enfoque baseado na CNN e ao mesmo tempo em que passa todas essas afirmações do governo norte-americano de retaliação contra um adversário invisível, colabora com o governo americano criando um bode expiatório, que pode ser as várias etnias que já estão sofrendo represálias no solo americano, diz. O professor alerta, porém para que não se generalize essa tendência. Não dá para falar que todas as pessoas vão concordar com tudo o que a mídia mostra, é preciso fazer uma pesquisa mais detalhada em todos os setores da sociedade, afirma.
A constante repetição das imagens dos prédios do World Trade Center em chamas e a posterior queda dos edifícios ajuda a impressionar as pessoas, causando uma grande comoção, diz a psicóloga Elaine Olmo. As pessoas são atingidas primeiro pelo lado emocional, por isso ficam impressionadas quando vêem as imagens toda hora, afirma. De acordo com a psicóloga, apenas depois de algum tempo é possível analisar situações como essa racionalmente. A tendência, na opinião de Elaine Olmo, é que as pessoas repudiem cada vez mais a idéia de retaliação. Como passar dos dias o lado racional começa a falar mais alto, diz.
Crianças ficam impressionadas
Nem as crianças ficaram alheias aos acontecimentos na América do Norte. Minha filha acompanhou tudo desde o começo, queria saber tudo, conta Renata Piacente sobre a filha Giovana, de 8 anos. Na escola ela também ouviu falar dos atentados e ficou muito assustada, mesmo sem entender a profundidade do problema, completa. Renata lembra que a filha fez muitas perguntas sobre o que estava acontecendo nos Estados Unidos e ficou com medo de que o mesmo pudesse acontecer no Brasil. Ela me perguntou se o Brasil ia entrar em guerra, diz a mãe. O mesmo aconteceu com a empresária Luciana Farias. O meu filho ficou grudado na televisão e queria saber tudo sobre o ataque. Ele ficou impressionado com a imagem dos aviões entrando nos prédios e ficou alguns dias perguntando se isso ia acontecer em Bauru, afirma sobre Bruno, de 7 anos.
Daniela, de 10 anos, filha do professor César Ortega, o maior sentimento que os ataques despertaram foi de pena. Minha esposa e eu ficamos muito emocionados, quase choramos e ela percebeu. Sempre que via as imagens ela ficava triste e curiosa para saber porque tudo aquilo estava acontecendo, lembra.
Segundo a psicóloga Elga Moreira da Cunha Teixeira Pinto, é importante que os pais saibam contextualizar as informações que chegam para as crianças para evitar que elas fiquem muito abaladas com os fatos e sofram por eles. A primeira coisa que deve ser explicada é que existe uma diferença entre a realidade americana e a brasileira, ensina a psicóloga. A distância física também deve ser mostrada para a criança. Para eles, Agudos e os Estados Unidos podem estar na mesma distância de Bauru, por isso elas podem temer que o mesmo aconteça aqui, diz.
Para Elga Teixeira Pinto, os pais devem procurar explicar o máximo que puderem para os filhos até sanar suas dúvidas, mas não se aprofundar demais no assunto. O importante é que eles observem como os filhos estão digerindo essas informações, que efeitos elas estão provocando neles, afirma. De acordo com a psicóloga, algumas crianças mais sensíveis podem ficar com muito medo vendo cenas tão violentas, outras podem ter dificuldade para dormir, por exemplo, enquanto algumas podem nem se abalar e até não ligar para os fatos. Elas precisam digerir essas informações de uma forma saudável, diz Elga Teixeira Pinto lembrando que, provavelmente, as crianças vão lembrar dos acontecimentos de 11 de setembro pelo resto da vida.