08 de julho de 2026
Geral

Retaliação ou vingança?

(*) Marlusse Pesstana Daher
| Tempo de leitura: 3 min

A ousadia terrorista que se abateu sobre a maior potência econômica da Terra denunciou com todas as letras que depois das transformações de toda sorte pelas quais passou o mundo nos últimos anos, nenhuma nação está imune, ou todas se igualam em vulnerabilidade frente a surpresas semelhantes. Estamos consternados, ninguém deixou de provar na própria pele, o medo de ser a próxima vítima.

As mais diferentes afirmações foram feitas. De quem acha que o mundo mudou no dia 11 de setembro de 2001; que está deflagrada a primeira guerra do novo milênio; que o mundo não será o mesmo depois desse acontecimento.

Os EUA voltaram a ser severamente criticados por suas estranhas posturas, quando chegam a determinado plenário, não podendo impor seus métodos e sua lógica, retiram-se no meio das discussões, a exemplo do que fez na conferência de Boonn sobre mudanças climáticas, em Durban, na África, sobre racismo.

O clamor que veio de lá se faz ouvir por toda parte, por muito tempo os gemidos de quem sofre estará povoando a lembrança e todos os sentidos de quantos são capazes de se comover. Todas estas coisas me estiveram bailando solitariamente no pensamento até que se divulgou a notícia de que duas crianças morreram carbonizadas, ali, no vizinho município de Cariacica, enchendo-me de mais comoção e fiquei perguntando: onde se deu a maior catástrofe? Quem perdeu mais? Para concluir que não é o porte da edificação, o lugar ou a importância do que ali se faz que conta. Mas conta que gente está morrendo, criança que foi eleita como prioridade absoluta perde a vida miseravelmente, porque este mundo está mal governado. Eram tantos os mosquitos que não conseguiam dormir. Terão visto adulto adotar o método: estrume de boi incendiado para espantar os mordedores. Só não tinham habilidade capaz de proceder ao uso, sem perigo de incêndio. O fogo agigantou-se, queimou trapos e cacarecos, atingiu-lhes os corpos e o desfecho todo mundo já conhece.

Agora os EUA se preparam para varrer o Planeta em busca dos culpados e asseguram que deles não restará pedra sobre pedra. Chamam a isto de retaliação, mas o nome certo deve ser chamado vingança. E depois que se tiver processado tal vingança terão acabado com o terrorismo? Porão fim ao fanatismo religioso inconseqüente que determina o agir dos autores de tais gestos? Deixarão de causar revoltas ou produzir outros sentimentos inferiores que acabam por explodir, entre os que apenas podem olhar o potencial de suas riquezas?

É indispensável que o sr. Bush tenha presente que mais violência respingará ainda mais em todos os outros; que seu ego pode-lhe dar a sensação de dever cumprido, até legitimar seu mandato, conquistado in dubbio, foi afirmado, mas não produzirá a efetiva transformação social, necessária ao debelamento das causas reais, geradoras e originárias de gestos de tal porte. É preciso ir mais fundo, mergulhar no nascedouro e a partir dali sim, propiciar que os problemas sejam solucionados. Caso contrário, haverá mais mortes e não só em virtude das mortes haverá menos vida.

Que tal erradicar a pobreza? aliás, como se propõe uma das melhores concepções de ação efetiva com resultado, o desenvolvimento sustentável. Pois, como bem afirmou o sociólogo Jaime Roy Doxsey: não é preciso que haja tanta gente pobre para que uns poucos sejam tão ricos.

(*) Jornalista de A Gazeta